A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 09/10/2023
O documentário “Absorvendo o Tabu”, produzido pela Netflix, aborda a realidade de mulheres indianas que, durante o período menstrual, sofrem com a falta de produtos higiênicos e absorventes - devido à ausência de investimento político e social nas aldeias. No Brasil, esse cenário é verossímil com a realidade presente, visto que muitas mulheres vivem em carência de itens básicos necessários para a higiene pessoal durante os fluxos. Nesse sentido, a negligência estatal e a falta de poder aquisitivo favorecem esse quadro.
Em primeira análise, deve-se destacar a ausência de medidas governamentais efetivas para resolucionar a problemática da pobreza menstrual, pois, segundo a ONU, 1/4 de pessoas vivem sem acesso a absorventes no Brasil. Diante dessa perspectiva, diversas mulheres acabam por limitar o seu direito de ir e vir durante os ciclos. Segundo o filósofo contratualista John Locke, essa conjuntura configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre a sua função de garantir que os cidadãos usufruam de direitos indispensáveis, como manter-se livre na sociedade ao menstruar, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a disparidade econômica como fator impulsionador da carência menstrual no Brasil. Segundo o IBGE, cerca de 30% da população nacional vive abaixo da linha da pobreza. Diante de tal exposto, segundo sociólogo Boaventura de Sousa Santos, a camada mais vuneravel da sociedade permanece sendo negligenciada e explorada, enquanto suas necessidades são invisiblizadas, tal como a saúde básica da mulher pobre.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo, por intermédio do Ministério da Saúde, promova a distribuição de absorventes higiênicos e coletores menstruais - através das unidades públicas de saúde - a fim de atingir as maiores vítimas da desigualdade social, pessoas menos favorecidas, para que estas possam conviver em sociedade de forma segura e digna durante os períodos menstruais. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa, onde o estado desempenha plenamente o seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.