A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 09/10/2023

A Constituição Federal, promulgada no ano 1988, garante como dever do Estado promover políticas públicas de saúde. Entretanto, tal teoria não se aplica à pratica, visto que, no Brasil, a pobreza menstrual têm sido uma realidade. Isso ocorre, pela indisponibilidade gratuita de absorventes íntimos, resultando na falta de uma higiene digna.

Diante desse cenário, é válido retomar o aspecto citado anteriormente quanto à indisponibilidade gratuita de absorventes. Nesse contexto, é indiscutível que a disposição desse material de higiene seja imprescindível para a garantia da saúde íntima e dignidade social. Entretanto, é evidente que mulheres com baixa condição financeira não tenham o devido acesso a essa realidade, tendo em vista o ínfimo interesse estatal sobre o assunto. De maneira análoga a essa tese, é possível citar o pensamento da escritora Simone de Beauvoir, a qual afirma que, quanto menos o indivíduo participar da sociedade capitalista, menos valor terá nessa sociedade. Sendo assim, fica clara a desigualdade social em relação à pobreza menstrual brasileira.

Ademais, é essencial citar a falta de dignidade higiênica, que, por sua vez, ocorre em decorrência da indisposição de material menstrual gratuito. Sob essa perspectiva, é indubitável que, devido a essa falta, mulheres em situação de vulnerabilidade vivem sob condições higiênicas insalubres. Concomitantemente a essa ideia, tem-se a obra “Revolução dos Bichos”, de George Orwell, onde afirma que todos os animais – nesse caso, os humanos – são iguais, mas alguns são “mais iguais que outros”, demonstrando a disparidade socioeconômica e como ela reflete na vida dos mais necessitados, sobretudo no Brasil.

Nota-se, portanto, a necessidade de sanar a pobreza menstrual no Brasil. Para tal, é intrínseco que o Governo, instituição fundamental na busca de soluções sociais, implente um projeto de distribuição de materiais básicos para a higiene feminina. Tal ação deve ser realizada por meio de unidades básicas de saúde, a fim de divulgar e aproximar as mulheres vulneráveis para a atividade. Dessa forma, a desigualdade social perderá força e a dignidade ao ciclo menstrual será valorizado.