A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 09/10/2023
A pobreza menstrual é um problema de saúde pública que afeta pessoas que menstruam e está relacionada à vulnerabilidade social, falta de acesso à informação, a absorventes e infraestrutura adequada, como saneamento básico.
Desde 2014 a Organização das Nações Unidas (ONU) considera a higiene menstrual como um direito humano, mas a pobreza menstrual é uma violação desse direito que atinge diretamente a saúde e a qualidade de vida das pessoas que menstruam.
A prioridade das famílias mais pobres é garantir o alimento na mesa, por isso muitas delas consideram o absorvente como um produto de luxo ou supérfluo. De acordo com o relatório Livre para Menstruar, produzido pelo projeto Girl Up, uma mulher gasta em média de R$3 mil a R$8 mil com a compra de absorventes ao longo da vida. Com isso, é necessário 4 anos de trabalho para custear as despesas com os absorventes, considerando que a renda anual dos 5% mais pobres é de R$1920, segundo dados do IBGE 2020
O combate à pobreza menstrual, algo que vem crescendo no mundo e felizmente no Brasil também, precisa ser um grito de todos que se importam com educação. Meninas deixam de ir à escola e até acabam por abandoná-la porque não têm absorventes quando estão menstruadas. Sim, é algo básico. Mas um problema real e triste em um país com milhões de famílias vulneráveis – empobrecidas mais ainda com a pandemia. […] Em dezembro de 2020, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos fez uma recomendação oficial ao presidente da República, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal a respeito da necessidade de se criar um marco legal para superar a pobreza menstrual no Brasil. O estado do Rio de Janeiro já se moveu nesta direção, sancionando em julho de 2020 uma lei para incluir absorventes na cesta básica. No Piaui, o movimento Girl Up redigiu o projeto de Lei Menstruação Sem Tabu Número 36/2020, que coloca o absorvente como item de primeira necessidade – o PL aguarda apenas a sanção do governador Wellington Dias.