A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 12/10/2023
A desigualdade social no Brasil, marcada pelos adventos de formação nacional como patrimonialismo e escravidão, atrapalha de maneira contundente o exercício pleno da cidadania no país. Nesse cenário, a pobreza menstrual, caracterizada pela ausência de absorventes, é um reflexo da histórica concentração de renda brasileira, potencializada pela baixa representatividade feminina na política.
Em primeiro plano, o documentário da Netflix “Absorvendo o Tabu”, acompanha o cotidiano de uma comunidade rural na Índia onde as mulheres utlizam cinzas e pães para reterem o fluxo menstrual. Paralelo a isso, a realidade no Brasil é semelhante, uma vez que muitas famílias precisam priorizar o básico, como alimentos, para sobreviência diária, deixando em segundo plano, itens de higiene íntima. Assim, mesmo a Constituição de 1988 colocando o direito à dignidade, à saúde e à educação como primordiais, percebe-se uma falha estatal, pois tais fatos levam essas mulheres a abandonarem a vida escolar, além de acarretar em infecções e doenças.
Sob esse viés, a perpetuação da problemática advém, sobretudo, da ausência de lideranças femininas nos órgãos do Estado. De acordo com o Jornal O Globo, a porcentagem de mulheres à frente de leis e políticas públicas é ínfima. Nessa perspectiva, de maioria masculina, há uma dificuldade do governo em analisar as necessidades do sexo oposto. Em consonância com essa tese, pode-se citar o veto do ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu mandato, para a lei que asseguraria a distribuição gratuita de absorventes para as pessoas que menstruem e estão em vulnerabilidade econômica.
Portanto, para que a realidade do documentário “Absorvendo o Tabu” não se assemelhe com a do Brasil, é necessário ação. ONGs em parceria com empresas de utensílios de higiene íntima, devem distribuir mensalmente absorventes nas comunidades carentes, com o intuito de melhorar a qualidade de vida desses indivíduos. Já as políticas do sexo feminino, devem promover, em época eleitoral, o apoio à candidaturas de outras mulheres, através das mídias atuais como TikTok e Instagram, para que haja, no futuro, uma equidade entre o percentual dos dois sexos nas lideranças federais e estaduais.