A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 13/10/2023
A Organização das Nações Unidas, apontou em uma pesquisa que 25% das pessoas no Brasil vivem em situação de pobreza menstrual. Em análise desse dado, entende-se que, mesmo havendo produtos de higiene íntima no país, como absorventes e coletores, estes não estão presentes de forma acessível à população, faltando recursos para as mulheres com menores condições financeiras. Com isso, o tema reflete a desigualdade social brasileira por afetar apenas as camadas mais pobres da sociedade, havendo uma omissão estatal.
A princípio, ressalta-se como a problemática está ligada à baixa renda do povo. Nesse sentido, na série “Ginny and Georgia”, a personagem principal vivenciou a extrema pobreza na adolescência e, anos depois, encontrou um prefeito disposto a montar cestas de natal para famílias carentes. Assim, ela sugeriu que doassem absorventes nessa campanha, visto que diversas mulheres não têm acesso a produtos de higiene para o seu ciclo. Dessa maneira, o programa se assemelha à realidade brasileira, em que a condição financeira do indivíduo influencia na sua saúde íntima.
Ademais, a temática segue ativa no Brasil pela omissão do Estado na causa. Sob esse viés, o Dr. Drauzio Varella afirma que a saúde no país é voltada para a doença, e não para sua prevenção. A partir dessa perspectiva, é possível relacioná-la com a pobreza menstrual, uma vez que a instituição se preocupa com as infecções urinárias, fúngicas e bacterianas, que são consequências da falta de métodos de higiene seguros, não havendo uma ação em prol da profilaxia destas.
Em suma, o grupo social afetado e a omissão do Estado evidenciam a falta de políticas públicas para solucionar a questão, sendo imperativo ao governo intervir. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, com o entendimento de que há um impacto na saúde da população, disponibilizar coletores menstruais para quem necessitar por meio do SUS, sendo viável por precisar de apenas um por mulher, diferente de absorventes, gastando vários por mês. Logo, haverá a finalidade de diminuir os efeitos da desigualdade social no âmbito da saúde feminina.