A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 16/10/2023
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 500 milhões de pessoas no mundo enfrentam a pobreza menstrual, sendo uma em cada quatro no Brasil. Nesse sentido, vale refletir sobre duas realidades: a insuficiência de políticas públicas que visem solucionar a temática e, também, a desigualdade social que coloca uma grande parcela da população em situações sub-humanas de carência menstrual.
Em primeira análise, vale salientar as políticas públicas insuficientes, que pecam em proporcionar condições igualitárias para os indivíduos que não conseguem ar-car financeiramente com a compra de absorventes. Em consonância a isso, é per-tinente mencionar o pensador Nicolau Maquiável, o qual afirma que se existe um problema no corpo social, então é responsabilidade do Estado solucioná-lo, agindo de maneira negligente, uma vez que esse objetivo não é alcançado. Isto é, é dever das autoridades responsáveis garantir a dignidade menstrual da população, uma vez que as mesmas possuem o papel constitucional de cessar essas problemáticas.
Em segunda análise, é importante ressaltar a disparidade social observada na atual conjuntura brasileira, que afeta na qualidade da vida daqueles que se encon-tram em situação de marginalização. Em concordância a isso, é válido citar o Art. 6º da Constituição Federal, o qual afirma que são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação etc. Ou seja, é direito garantido por lei o acesso aos itens básicos de higiene para todos os cidadãos, visto que estes representam a saúde pública.
Portanto, em vista de solucionar a situação de pobreza menstrual no país, cabe ao Ministério da Saúde — órgão responsável por garantir uma saúde de qualidade para o povo brasileiro —, distribuir materiais de higiene menstrual, por meio de projetos sociais que busquem conscientizar as pessoas acerca da causa, e mobilizar os demais membros da sociedade a participarem de campanhas de doação de absorventes, coletores menstruais etc. Feito isso, pode-se esperar que o problema apresentado seja uma realidade cada vez mais distante no Brasil, uma vez que a população terá sido devidamente instruída sobre de seu papel cívico de atuar contra a intempérie.