A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 16/10/2023

Desde 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera a higiene menstrual como um direito humano. No entanto, ao analisar o contexto brasileiro atual, observa-se o não cumprimento desse direito básico. A ineficácia do Estado no combate a essa mazela é refletido na falta de informação e na dificuldade que muitas brasileiras encontram de terem acesso à ferramentas básicas que lhes garanta a plena manutenção de sua saúde menstrual.

Primeiramente, é fundamental analisar-se as causas desse problema. A principal delas, ancorada na carência de políticas públicas voltadas para a educação menstrual no Brasil, é a desinformação. Esse fator, somado a falta de recursos financeiros que assola mulheres brasileiras em situação de extrema pobreza, é um grande inimigo do bem-estar de muitas meninas que, sem as devidas orientações, buscam supostas soluções alternativas como forma de driblar o cenário de miséria em que se encontram. A exemplo disso, temos o uso do miolo de pão como substituto dos absorventes, na tentativa de conter o fluxo menstrual.

Consequentemente, esses fatores possuem um impacto devastador em vários aspectos fundamentais da vida social, como apontado no relatório intitulado ´´A Pobreza Menstrual no Brasil: Desigualdade e Violação de Direitos´´, feito pela Unicef. Nele, destacam-se a evasão escolar e os malefícios à saúde feminina. Muitas meninas deixam de frequentar a escola por falta de estrutura e itens básicos para lidar com suas necessidades de higiene, como papel higiênico e sabão. Ademais, o uso de itens inaquedados acarreta no desenvolvimento de doenças e pode comprometer a saúde e a integridade física dessas cidadãs.

Conclui-se, portanto, a necessidade de pensar-se estratégias para combater esse cenário de desigualdade. Cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Educacão, em parceria com o SUS, desenvolver um projeto de lei que garanta a distribuição gratuita de absorventes nas escolas publicas. Deve, também, promover a participação de profissionais da saúde - tendo em vista seus vastos conhecimentos na área - em palestras e debates nas instituições de ensino público, visando levar informação sobre o assunto.