A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 21/10/2023

O livro “Prisioneiras” do médico Dráuzio Varella relata a rotina e as difculdades de mulheres encarceradas. Dentre os entraves enfrentados, está a pobreza menstrual, que faz com que elas precisem utilizar métodos inapropriados para conterem o fluxo menstrual, como a introdução de miolo de pão na vagina. Esse problema reflete a desigualdade social no Brasil, causada pela falta de assistência governamental , que resulta na transformação do absorvente em algo luxuoso.

No que tange ao auxílio governamental, é fundamental relembrar que, no Brasil, por exemplo, são ofertadas camisinhas, principalmente masculinas, em abundância e de forma gratuita durante todo o ano. Por outro lado, de maneira geral, não há sequer locais em banheiros femininos públicos que tenham suporte para conter absorventes. Logo, intui-se que a maneira negligente pela qual a saúde da mulher é tratada no Brasil que permite a persistência da pobreza menstrual, visto que, à exemplo da distruibuição de camisinhas masculinas, renda não é um problema para a falta da distribuição governamental gratuita de absorventes. Assim, percebe-se que tal pobreza é reflexo não só da a desigualdade social, mas também da de gênero.

Consequentemente, o absorvente torna-se uma espécie de artigo de luxo e apenas quem tem condições finananceiras conseguem comprá-lo. De acordo com o site “projetocolabora.com.br”, cerca de 6.000 reais são gastos por uma pessoa que menstrua, contabilizando todos os ciclos menstruais e todos os absorventes que usaria durante a vida. Desse modo, considerando o alto valor estimado, entende-se o porquê de muitas pessoas não terem condições para obter esse item e, assim, usarem miolo de pão como em “Prisioneiras”, que desenvolvem doenças por causa disso ou até deixarem de ir à escola, como no caso de algumas meninas. Por tudo isso, evidencia-se a desigualdade social entre ricos e pobres como um fator propiciador da pobreza menstrual.

Logo, é mister que o Ministério da Economia- órgão responsável pelo controle financeiro do Brasil- disponibilize capital para a compra de absorventes, por meio da inclusão desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias do país, a fim de que haja a distribuição gratuita de absorventes.