A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 02/11/2023
O renomado filósofo Tomas More, em sua obra “Utopia”, versa sobre uma
sociedade ideal e perfeita livre de problemas sociais. Nessa perspectiva, o Brasil se encontra em uma distopia, que é o contrário do cenário ideal, como escreveu More. Logo, isto ocorre, pois a pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil tem criado chagas no país, devido a fatores como: falta de direitos higiênicos à mulheres de periferias e a negligência governamental.
Diante do exposto, o conceito de “Banalidade do Mal”, criado pela teórica alemã Hannah Arendt, defende que quando uma atitude agressiva ocorre frequentemente, a sociedade passa a vê-la como normal. Assim, essa banalidade é vista nos ambientes periféricos, uma vez que a maior parte de mulheres afetadas pela pobreza menstrual — que é a falta de recursos higiênicos no período menstrual, como absorventes — vivem nas periferias do país. Dessa maneira, a desigualdade social tem afetado a saúde higiênica de mulheres que não possuem recursos e nem ajuda para ter acesso a itens mínimos de cuidado ménstruo.
Ademais, a negligência governamental contribui para os problemas mencionados anteriormente. Outrossim, A ONU (Organização das Nações Unidas), afirmou que considera o acesso à higiene menstrual um direito social. Entretanto, no Brasil a pobreza menstrual apenas cresce, pois parte da população feminina do país não possui condições financeiras para comprar um absorvente. Além disso, o governo não tem dado suporte o suficiente para essas mulheres que sofrem com algo natural de seu corpo, o qual não podem evitar.
Portanto, o Estado Brasileiro, na condição de garantir os direitos sociais dos cidadãos, deve aderir a providências catalisadoras, a fim de solucionar a falta de direitos higiênicos à mulheres de periferias e a negligência governamental em cima dessa chaga. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde investir na parte da população feminina afetada e seus direitos, por meio de projetos sociais que ofereçam gratuitamente absorventes e itens de higiene menstrual nas ruas e escolas, para que assim torne o país um lugar igualitário e cumpra a Utopia de More.