A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 24/10/2023

Na telenovela “Chiquititas”, do SBT -sistema brasileiro de televisão- a personagem Mili comprou absorventes após ter a sua primeira menstruação. No entanto, fora da ficção, na realidade contemporânea brasileira, infelizmente, muitas mulheres não possuem dinheiro suficiente para comprar absorventes para usar durante o período menstrual. Dessa forma, convém analisar e discutir sobre a negligência governamental e a desatenção midiática.

Nesse contexto, a princípio, faz-se necessário mencionar que o descaso estatal contribui para a pobreza menstrual. Sob essa perspectiva, segundo o filósofo Tho-mas Hobbes, em seu conceito de “Contrato Social”, é dever do Estado garantir o bem-estar populacional. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato, no cenário hodierno, devido à imprudência das autoridades, no que tange à atenua-ção dessa mazela. Desse modo, pela ausência do apoio do governo distribuindo os absorventes, as mulheres mais necessitadas não conseguem comprá-los, devido ao alto custo, estando sujeitas a adquirirem doenças pela falta de cuidados necessários. Sendo assim, é inadmissível que o governo continue sendo omisso ao permitir isso.

Além disso, é importante ressaltar que a falta da mídia também contribui para a carência do fluxo menstrual. Nesse viés, de acordo com o filósofo Habermas, “a construção social é feita através dos meios de comunicação e da difusão de infor-mações”. Nesse sentido, a inexistência desse assunto nas redes sociais faz com que os indivíduos não saibam como ajudar as meninas durante esse processo, como, doando absorventes e remédios para cólicas. Logo, medidas são necessárias.

Pode-se perceber, portanto, que a pobreza menstrual ainda apresenta alguns desafios no Brasil. Para que isso seja minimizado, é preciso que o Ministério da Saúde -responsável pela saúde pública- doe absorventes, por meio de campanhas, a fim de que todas as brasileiras possuam os objetos necessários durante o fluxo menstrual. Ademais, é crucial que a Mídia mostre em suas redes sociais sobre como a falta de dinheiro para comprar absorventes afeta a vida de milhares de mulheres. Quem sabe assim, com essas medidas, mais meninas possam ter as mesmas oportunidades que a personagem Mili.