A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 25/10/2023
Todas as pessoas têm direitos iguais à liberdade, à prosperidade e a proteção. A frase de Voltaire - filósofo iluminista - define os príncipios que devem guiar a sociedade. Entretanto, questões como a pobreza menstrual, consequência direta da desigualdade social no Brasil, demonstram que tais princípios não são respeitados. Nesse contexto, é essencial analisar os fatores que ocasionam essa problemática, identificando falhas estatais e carências de informação.
Em primeiro lugar, é crucial destacar que o problema relacionado à pobreza menstrual, como fator da desigualdade social, está intrinsecamente ligado a falhas estatais. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, instituições zumbis são aquelas que ainda existem, porém não desempenham seu papel na sociedade. É evidente que o Estado exemplifica essa analogia, uma vez que a falta de ações destinadas para garantir o acesso a itens de higiene íntima feminina aumenta a segregação social. Desse modo, torna-se necessário abordar esta questão.
Ademais, a escassez de informação também desempenha um papel significativo nas adversidades enfrentadas. Conforme argumenta o sociólogo Michel Foucault, na sociedade, muitas vezes, comportamentos são repetidos sem uma reflexão crítica. Logo, quando informações sobre o ciclo uterino, métodos contraceptivos e saúde íntima são omitidas, há consequências negativas, como o aumento de problemas vaginais e o afastamento da escola e da sociedade durante a menstruação. Nesse sentido, a falta de conhecimentos sobre a saúde feminina contribui para a persistência desse desafio, conforme destacado pelo sociólogo.
Portanto, é evidente a necessidade de criar alternativas para superar o impasse mencionado. Para isso é necessário que o governo federal garanta o acesso a itens de higiene pessoal para toda a população feminina, destinando verba para a distribuição gratuita de absorventes nas escolas e unidades de saúde, além de disseminar informações sobre ginecologia, por meio de palestras, cartazes e propagandas midiáticas voltadas para a população mais pobre. Isso visa garantir os direitos fundamentais defendidos por Voltaire para todos os cidadãos, além de incentivar o Estado a agir em relação a tal problemática. Dessa forma, é possivel abordar a pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil.