A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 03/11/2023

Segundo o filósofo Platão, a qualidade de vida é tão importante quanto o viver em si. Todavia, percebe-se que, no Brasil, essa ideia está distante de ser alcançada, pois, de maneira inaceitável, a pobreza menstrual reflete os contrastes sociais, o que afasta a sociedade de atingir o bem-estar. Dessa forma, fica claro que a ausência de políticas públicas, e a inércia midiática são alguns dos problemas.

De início, é importante ressaltar a escassez de políticas públicas como motivador do problema. Nesse sentido, de acordo com José Murilo, historiador brasileiro, a precariedade da cidadania no Brasil tem relação direta com a sua complexa trajetória, sendo uma grande promessa, sem efetividade na prática. Nessa perspectiva, percebe-se o quão nefasto é que o poder público não cumpra seu papel como agente promovedor do bem-estar da sociedade, uma vez que devido ao tratamento pífio com a cidadania, não se dá importância a menstruação, tratando-a como despesa, a exemplo do lúgubre cenário das mulheres em situação de rua, o qual não apenas segrega as minorias, mas também mina a sociedade como um todo, criando barreiras e perpetuando a reincidência do problema.

Ademais, a escassez de conhecimento sobre esse tema é atribuída a ausência de informações por parte de instituições influentes, como a mídia e o Estado. Conforme afirmou a socióloga Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nesse contexto, a população, em geral, permanece apática, diante das consequências ocasionadas pela falha na importância dada a menstruação, como a dificuldade na distribuição de absorventes. Com isso, é inaceitável que o tecido social continue a sofrer os efeitos nocivos da desinformação, dado que este não figura como prioridade nos meios comunicativos, contribuindo para a perpetuação do obstáculo.

Logo, cabe ao Ministério da Saúde - visto que é a pasta do governo responsável pela saúde pública e privado do país - promover melhorias na distribuição de absorventes, por meio de parcerias público-privado, utilizando as mídias digitais como espaço de divulgação, com auxílio de médicos e enfermeiros, a fim de mitigar a falha estrutural e a inércia midiática. Por fim, tais ações promoverão, certamente, uma sociedade que atinge o bem-estar, como afirma o filósofo Platão.