A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 03/11/2023
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que combater a pobreza menstrual apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade social, quanto da falta de políticas públicas.
Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para se combater a pobreza menstrual. Nesse sentido, a desigualdade social afeta diretamente esse cénario, já que nem todas as pessoas tem condição de arcar com o custo do absorvente e isso afeta o acesso a escola das meninas durante esse ciclo, o que causa prejuizo ao ensino. Essa conjuntura, segundo o filósofo John Locke, configura-se como uma violação no “contrato social”, já que o Estado não cumpre seu dever de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis.
Ademais, é fundamemental apontar a a falta de políticas públicas como impulsionador da pobreza menstrual no Brasil. Segundo o site Projeto Colabora, uma mulher gasta em torno de 6 mil reais com absorventes, valor esse que não condiz com a realidade de muitos brasileiros. Diante de tal exposto, políticas públicas são de suma importância para os indíviduos que estão a margem da sociedade tenham uma dignidade menstrual. Logo, é inadmissivél que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprenscindível que o Estado, por intermédio de políticas públicas, distribuam absorventes para as pessoas em vulnerabilidade econômica, em escolas e unidades básicas de saúde, a fim de amenizar a pobreza menstrual. Desse modo, atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto nocivo da carência menstrual.