A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 03/11/2023
A Constituição de 1988 foi um marco na história brasileira, pois foi a primeira vez que o país teve um constituição que tem como uma de suas bases o direito à saúde. No entanto, esse avanço se mostrou insuficiente, visto que muitas das mulheres sofrem com a pobreza menstrual, sem acesso a absorventes, papeis higiênicos e outros meios de prevenir a menstruação. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e a secundarização dos direitos no Brasil impulsionam tal problemática, com o intuito de solucioná-la.
Diante desse cenário, nota-se a inoperância governamental como fator agravante com a pobreza menstrual que afeta uma grande parcela das mulheres no Brasil. De acordo com o geógrafo Milton Santos, em seu texto “As Cidades Multiladas”, a cidadania atinge a plenitude de sua eficácia quando os diretos do corpo social, em sua totalidade, são homogeneamente desfrutados. Todavia, no contexto hodierno, a passividade do Estado distancia a população negligenciada dos direitos constitucionalmente garantidos, à medida que, a mulher em situação menstrual torna-se invisível perante o governo, e por isso também pela sociedade. Dessa forma, enquanto a máquina pública negligenciar suas responsabilidades, o problema perdurará e a mulher continuara a ser mutilada de forma sistemática.
Além disso, é notório como no Brasil houve uma secundarização histórica dos direitos. Nesse sentido, no livro “A Elite do Atraso”, o autor brasileiro Jessé Souza discorre sobre como o desenvolvimento no Brasil foi guiado por um elite interessada apenas nos lucros rápidos e todos os direitos da população ficaram à mercê e, como consequencia as mulheres ficando em segundo plano, com a falta de uso de absorventes, elas acavabam se ariscando a ter infecções vaginais como fungos e bactérias.
Em suma, o cenário exige uma ação robusta do Estado e da sociedade civil. Portanto, a União, por meio do Ministério da Saúde, deve criar um plano de apoio, como palestras e campanhas, com fundo próprio, ajudando e melhorando a condição da pobreza mestrual com distribuição de absorventes. Além disso, a sociedade deve se unir para eleger representantes que visem a diminuição de tal problema. Assim, garantindo os direitos dos constituintes de 1988.