A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 19/02/2024

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os indíces de pobreza menstrual refletem uma desigualdade social no Brasil. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência estatal, quanto da omissão social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é fulcral pontuar que a pobreza menstrual deriva da baixa atuação dos setores governamentais. O pensador Thomas Hobbes afirma que o estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, devido à falta de atuação das autoridades, isso não ocorre no Brasil, uma vez que muitas mulheres sofrem com a falta de recursos básicos como absorventes, coletores menstruais etc. Desse modo, pede-se urgentemente uma reformulação da postura estatal.

Ademais, é imperativo ressaltar a omissão por parte da sociedade como promotor do problema. A filósofa existencialista Hannah Arendt traz o conceito de “banalidade do mal”, explicando que, por exemplo, aqueles que não vivenciam a pobreza menstrual, não estão preocupados com quem o faz e, consequentemente, não se movimentam para mudar essa realidade, gerando uma desigualdade social. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática. Para isso, o Ministério Público - orgão responsável pela manutenção dos interesses da sociedade - deve estabelecer programas sociais com o objetivo de auxiliar as mulheres em situação de pobreza menstrual, além de campanhas, por meio das mídias, a fim de conscientizar a população da chagas. Dessa forma, a desigualdade social advinda da pobreza menstrual será atenuada e a sociedade brasileira se aproximará da realidade descrita por More.