A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 04/03/2024

A obra “Utopia”, de Thomas More, idealiza uma sociedade isenta de mazelas comunitárias, inclusive no âmbito da saúde. Contudo, é fato que esse cenário é distante da realidade, pois a problemática da pobreza menstrual, a qual é um refle-

xo da desigualdade social, é presente no Brasil. Nesse viés, a negligência governa-

mental e o descaso do povo, que ocasionam esse entrave, devem ser mitigados.

Efetivamente, a displicência estatal promove a precariedade relacionada à menstruação no país. Segundo a Carta Magna de 1988, o acesso à saúde, que en-

globa os ciclos menstruais, é um direito pleno. Entretanto, quando se analisa a situação brasileira, fica clara a inaplicabilidade desse postulado uma vez que, devi- do à má gestão de verbas, a distribuição de absorventes à população de baixa ren- da, que frequentemente não têm acesso a esses produtos em decorrência da dis- crepância salarial, é ínfima. Desse modo, é inadmissível que o Estado não priorize

o bem-estar fisiológico desse público, pois isso aumenta a incidência de patologias

ginecológicas e, consequentemente, diminui a qualidade de vida.

Ademais, a indiferença populacional impulsiona a carência menstrual na pá-

tria. Conforme a socióloga Simone de Beauvoir, os indivíduos habituam-se às maze-las sociais. A partir disso, fica evidente que uma parcela dos cidadãos, ao banalizar erroneamente a pobreza atrelada aos ciclos menstruais, não se atenta à pertinência dos protestos como mecanismos denunciadores de tal problemática, perpetuando-a como um desdobramento da disparidade socioeconômica no Brasil. Dessa maneira, é imprescindível que o povo seja protagonista na luta pela efetivação de seus direitos.

Portanto, cabe ao Estado — agente responsável pela promoção de um corpo

social positivo — potencializar, por meio de verbas governamentais, a distribuição

de absorventes à população em situação de vulnerabilidade salarial. Tal ação visa,

em última análise, à diminuição da pobreza menstrual como reflexo da desigual-

dade social na nação. Além disso, cabe às ONG’s de caráter educativo elaborar campanhas publicitárias que incentivem, por meio do destaque à pertinência dos protestos, a participação cidadã no processo democrático.