A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 09/07/2024
Em sua obra “O cortiço", o escritor Aluízio de Azevedo descreve a menstruação de uma personagem pobre com algo corriqueiro, constrangedor e íntimo, a qual todos do cortiço comentam, mas nada fazem. Ao transpor o livro, percebe-se que a obra exemplifica a realidade, uma vez que a pobreza menstrual é reflexo da desigualdade social no território nacional. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e a desigualdade social impulsionam tal problemática.
Diante desse cenário, nota-se a inoperância governamental como fator agravante no cenário da dignidade menstrual. De acordo com Aristóteles, o equilíbrio social só é alcançado quando todos os cidadãos podem usufruir igualmente das garantias normativas. Todavia, no contexto hodierno, a passividade do Estado distancia os mais vulneráveis do direito à dignidade, à medida que a falta de acesso a absorvente leva os mais pobres a buscar meios alternativos de tratamento. Dessa forma, o problema perdurará e o direito fundamental à dignidade continuará a não ser uma realidade para uma parcela da população.
Ressalta-se, ademais, que a desigualdade social potencializa esse ambiente. Nesse viés, segundo a ONU, no mundo, mais de 500 milhões de mulheres vivem sob pobreza menstrual. Diante de tal exposto, percebe-se milhões de pessoas estão sob insuficiência de poder aquisitivo, e para contornar a falta de absorventes tem de adequar com o uso de materiais inadequados como papel, plástico ou pão. Em decorrência disso, tal situação leva a riscos de infecções, dores e dermatite na usuária. Dessa forma, é imprescindível combater essa insuficiência, visto que é uma das causas do problema.
Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portanto, cabe ao Estado - em sua função de promotor do bem-estar social – criar políticas efetivas de acesso a materiais absorventes direcionadas a sociedade, com disponibilização gratuita continua para as mais pobres, também alertar sobre os riscos de improvisações, mediante campanhas, com a finalidade combater o problema e evitar enfermidades. Assim, à luz de Aristóteles, poder-se-á garantir o direito dignidade menstrual frente à questão.