A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 30/07/2024

A filósofa ‘‘Djamila Ribeiro’’ ressalta que é preciso tirar situações de invisibilidade para que soluções sejam encontradas. De maneira análoga a isso, a pobreza menstrual no Brasil é um desses reflexos de invisibilidade, revelando-se como uma mazela social. Nesse sentido, a desigualdade social e a ineficiência legislativa são empecilhos para a solução dessa pauta.

Nesse contexto, as diferenças sociais que circulam no país evidenciam um grave problema. Segundo George Orwell, todos somos iguais, mas alguns são mais iguais que outros. Semelhantemente, mulheres de classe baixa são as mais afetadas pela pobreza menstrual, afinal, não possuem recursos suficientes para usufruir de produtos higiênicos, como os absorventes. Desse modo, infelizmente essas jovens passam a ser inferiorizadas e marginalizadas em uma sociedade democrática, embora todos deveriam possuir as mesmas oportunidades.

Ademais, é importante salientar a ineficácia legislativa acerca do tema. Conforme a Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos têm direito a uma saúde de qualidade, entretanto, este trecho está apenas no papel e se distancia da realidade. Em suma, se cada mulher brasileira realmente tivesse esse acesso, a pobreza menstrual não existiria, mas tragicamente isso não é uma realidade. Desse modo, há uma omissão governamental sobre a saúde íntima dessas meninas, e isso revela uma inconstitucionalização.

Portanto, cabe ao Ministério das mulheres, junto ao Ministério da saúde - órgão responsável pela saúde dos brasileiros- estabelecerem medidas concretas acerca da pobreza menstrual, por meio do direcionamento de verbas para o Sistema Único de Saúde (SUS), desenvolvimento de políticas públicas e fiscalização severa desses gastos. Visando diminuir a desigualdade e minorar o descaso à constituição contra milhares de garotas no país, assim aparta-se o problema de sua invisibilidade e a sua solução será encontrada.