A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 16/10/2024
Miolo de pão. Papel de jornal. Sacolas plásticas. Esses são alguns dos itens utilizados por meninas e mulheres em situação de pobreza menstrual no Brasil. Essa infeliz realidade reflete a desigualdade social, que priva milhares de brasileiras não somente do acesso a itens básicos de higiene e saúde feminina, como absorventes, mas também de uma educação completa e de uma saúde física e mental de qualidade.
De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), uma em cada dez meninas perde aulas no período menstrual por falta de absorventes higiênicos, o que prejudica seus estudos e aumenta a disparidade social, pois, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média mensal de trabalhadores com ensino superior é significativamente maior à de trabalhadores só com ensino fundamental. Assim, a falta de acesso a produtos menstruais básicos perpetua um ciclo de pobreza e desigualdade.
Segundo uma pesquisa realizada em 2021 pela Johnson & Johnson Consumer Health com 814 mulheres de baixa renda, 70% das entrevistadas foram afetadas por problemas vaginais. Além do impacto físico, há também consequências em sua saúde mental, pois 52% acreditam que “menstruar dita um pouco a nossa dignidade, porque, além de ter algum mal-estar, parece que estamos sujas”. Os efeitos negativos na saúde são causas da desigualdade social, já que são suas condições financeiras que as impedem de se higienizarem adequadamente, prevenindo problemas vaginais e a crença de estarem sujas.
Portanto, é imperativo que o Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria de Educação, implemente políticas públicas para garantir o acesso universal a produtos menstruais e distribua gratuitamente absorventes nas escolas e unidades de saúde, além de promover campanhas educativas sobre saúde menstrual, para, assim, assegurar que todas as meninas e mulheres possam viver com dignidade, prevenir problemas de saúde, melhorar a frequência escolar e, desse modo, reduzir a desigualdade social. Apenas com essas ações coordenadas poderemos construir uma sociedade mais igualitária, onde nenhuma menina tenha que usar miolo de pão para substituir o uso de absorvente.