A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 21/10/2024

Na série, “Vis a Vis”, as prisioneiras tinham o uso de absorventes limitados pela administração da prisão para reduzir os custos, diante disso, muitas mulheres eram forçadas a realizarem contrabando em troca destes itens ou sofriam o risco de contrair alguma doença no local. Fora da ficção, isso é uma realidade no Brasil, onde várias pessoas sofrem com pobreza menstrual devido a desigualdade social no país. Visto isso, percebe-se que a disparidade entre as classes sociais é evidenciada na menstruação precária da mulher, tornando -a passível de ser combatida.

Primeiramente, é importante ressaltar que as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em manter sua saúde íntima promove a exclusão social desse grupo. Uma vez que , segundo o dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), aproximadamente 3% das meninas de 10 e 19 anos faltaram da aula nos 14 dias anteriores a pesquisa por problemas menstruais. Somado a isso, o artigo evidencia,também, a dificuldade de acesso a absorventes, a falta de banheiros e o início precoce da menstruação como empecilhos na saúde e educação feminina.

Além disso, outro fato a ser abordado é a não efetivação dos direitos regidos na Constituição brasileira. De acordo com os dados do Departamento Penitenciário Nacional 25% das unidades carcerárias do país não contém estruturas previstas no módulo de saúde , fazendo com que as integrantes desses locais sejam obrigadas a recorrer a métodos precários e desumanos.

Fica claro, portanto, que a pobreza menstrual promove e evidencia a desigualdade social no país e medidas são necessárias para combatê-la. Para isso, O Ministério da Saúde deve , através do dinheiro arrecadado com o imposto sobre circulação e mercadorias (ICMS), realizar a construção de banheiros em escolas e ambientes públicos e distribuir absorventes , fármacos que aliviam a dismenorreia e todos os utensílios necessários para garantir a saúde plena da mulher. Assim, a longo prazo, o país diminuirá a desigualdade social e as mulheres não enfrentarão problemas de saúde íntima como os retratados na série “Vis a Vis”.