A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 26/10/2024

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão da pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, dessa forma, é preciso analisar a questão da negligência governamental e da insuficiência legislativa.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a importância de um Estado ativo na resolução de questões sociais. Segundo Foucault, as instituições podem exercer controle social por meio do que ele chamou de “biopoder”. Quando o Estado negligencia seu papel, como ocorre no Brasil em relação a pobreza menstrual, ele permite a perpetuação de desigualdades. Dessa maneira, pessoas de baixa renda que menstruam deixam de receber o tratamento adequado, o que resulta na exclusão social, onde esses indivíduos deixam de cumprir suas rotinas devido à falta de apoio governamental na questão da pobreza menstrual.

Além disso, a ausência de políticas públicas específicas que abordem a pobreza menstrual indica uma insuficiência em relação às necessidades do grupo vulnerável. No entanto, apesar da Constituição Federal de 1988 determinar como direito fundamental do cidadão brasileiro o acesso a produtos higiênicos, essa lei não é concretizada, pois não há investimentos estatais suficientes nessa área. Diante disso, é imprescindível a criação de políticas públicas voltadas para a garantia e distribuição de produtos higiênicos é imprescindível para mudar essa realidade.

Observa-se, portanto, a urgência de aumentar a visibilidade dos desafios enfrentados no que diz respeito à pobreza menstrual. Desse modo, cabe ao Estado – enquanto garantidor dos direitos fundamentais – não apenas implementar políticas públicas que atendam às necessidades específicas desse público vulnerável, mas também promover campanhas de conscientização através de mídias diversas, como propagandas nas ruas e na TV. Essas ações, que devem envolver a colaboração das esferas federais, estaduais e municipais, visam dar visibilidade à questão da pobreza menstrual e reduzir seus impactos negativos.