A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 27/10/2024

De acordo com a antropóloga Mirian Goldenberg, o termo, “pobreza menstrual” nascido na França, está associado à falta de dinheiro para os recursos básicos de higiene durante o período menstrual, como absorventes. No entanto, também está ligado à falta de informação e apoio sobre o assunto, o que afeta muitas vidas de mulheres que vivem em comunidades ou as quais estão em cituação de cárcere.

Um dos principais fatores que contribuem para a pobreza menstrual no Brasil é, justamente, o fator econômico. De acordo com o IBGE, mais de 28% das pessoas de baixa renda na faixa etária entre 14 e 45 anos são afetadas por essa realidade. Isso ocorre, muitas vezes, porque não possuem absorventes, sabonetes e outros artigos necessários à manutenção da higiene, que estão com preços elevados. Assim, mulheres que vivem em situações precárias não conseguem arcar com os custos desses itens, especialmente considerando que, após a pandemia, o país enfrenta um dos momentos mais inflacionários da sua história, conforme indicado pelo IPCA.

Diante desse problema, o livro “Presos que menstruam”, de Nana Queiroz, aborda a vida de mulheres em ambientes penitenciários. A obra ilustra a realidade dessas mulheres que, em situações precárias, muitas vezes recorrem a alternativas como jornais ou até mesmo miolo de pão para conter seu fluxo menstrual. Essas opções afetam a saúde genital, podendo desencadear inflamações e irritações, além de interferirem na dignidade humana da população encarcerada, assim como das pessoas em situação de rua e dos jovens sem condições financeiras adequadas, que enfrentam essa realidade.

Portanto, é fundamental que o Estado, como principal responsável por essa situação, encontre uma solução. O Governo Federal deve, por meio do Ministério da Saúde, assegurar a distribuição de kits de absorventes e sabonetes para a população em situação de pobreza menstrual. A disponibilização desses recursos em postos de saúde tem como objetivo garantir o bem-estar das pessoas que menstruam e que não podem arcar com esses custos. A longo prazo, é essencial que o governo implemente medidas para controlar a inflação no Brasil, promovendo a valorização do Real e facilitando o acesso a recursos