A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 27/10/2024

No curta-metragem Absorvendo o Tabu, produzido por Melissa Berton, retrata como diversas mulheres não possuem acesso a produtos de higiene menstrual, sofrendo da chamada pobreza menstrual. Infelizmente, tal cenário não ocorre apenas no curta-metragem, visto que, segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 500 milhões de pessoas vivem sem o acesso a produtos de higiene menstrual, obrigando muitas vezes a improvisar a para conter o ciclo, problema agravado pela alta taxação que esses produtos sofrem.

Diante desse cenário, existe a falta do devido cuidado sobre esse assunto, visto que é algo que prejudica, não somente a saúde das jovens, mas também contribui para sua evasão escolar, como mostrado no relatório da UNESCO, onde aproximadamente 25% das meninas já faltaram à escola por não ter absorventes. Obrigando essas jovens a encontrar soluções de conter o ciclo, como o uso de miolo de pão, alternativa que pode causar diversos problemas vaginais, tais como infecção urinaria e candidíase.

Ademais, outro desafio é a alta carga tributária que esses produtos sofrem, diminuindo mais ainda o acesso das famílias que possuem baixa renda. Conforme mostrado na reportagem do Globo.com, no Brasil, os absorventes higiênicos possuem tributação de 34,48% e alguns computadores possuem carga de 24,30%, tornando o custo médio com absorventes higiênicos de aproximadamente 6000 reais durante a toda a idade fértil, valor que coloca uma em cada quatro meninas em situação de pobreza menstrual.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde, órgão responsável por dispor de condições para a proteção e recuperação da saúde populacional, juntamente com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, por meio de políticas de saúde pública, disponibilize absorvente higiênicos gratuitamente nos postos de saúde. Dessa forma, aumentando o acesso aos meios de contenção do ciclo, permitindo que esse problema não seja um impedimento para que jovens compareçam às salas de aulas.