A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 27/10/2024
A pobreza menstrual é um problema que afeta milhões de pessoas no Brasil, privando-as do acesso a itens básicos de higiene durante o período menstrual. Esse fenômeno é amplamente agravado pela desigualdade econômica, social e de gênero, impactando meninas, mulheres e outras pessoas que menstruam. Segundo o relatório “Livre para Menstruar”, aproximadamente uma em cada quatro brasileiras enfrenta dificuldades para comprar absorventes, transformando um produto essencial em um luxo inacessível.
O Projeto de Lei 4968/2019, que prevê a distribuição gratuita de absorventes para populações vulneráveis, incluindo estudantes de escolas públicas e mulheres em situação de rua, é uma tentativa de mitigar essa realidade. Entretanto, o veto presidencial à distribuição dos itens de higiene sublinha as barreiras enfrentadas por políticas voltadas à dignidade menstrual. Esse veto gerou forte repercussão negativa, evidenciando a urgência de ações governamentais que não só forneçam produtos, mas também promovam campanhas educativas.
Além do impacto direto na saúde, a pobreza menstrual tem efeitos indiretos, como o aumento da evasão escolar, pois muitas estudantes deixam de frequentar as aulas devido à falta de condições adequadas de higiene. Tal situação perpetua um ciclo de desigualdade, afetando o desenvolvimento e a participação plena dessas pessoas na sociedade. Para combater essa problemática, é essencial garantir políticas públicas que promovam o acesso a produtos de higiene menstrual e a educação sobre o tema, assegurando dignidade e qualidade de vida a quem menstrua.