A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 28/10/2024
A menstruação é um processo biológico natural, presente em mulheres de todas as classes sociais. No entanto, no Brasil, as desigualdades socioeconômicas ampliam as dificuldades enfrentadas por aquelas em situação de vulnerabilidade. A falta de acesso a produtos de higiene menstrual compromete a saúde, a educação e a vida profissional de milhões de meninas e mulheres, perpetuando a exclusão social e as disparidades de gênero.
A realidade de muitas brasileiras revela que a ausência de absorventes durante o período menstrual resulta na evasão escolar e na limitação das oportunidades de ascensão social. Dados do Espro (Ensino Social Profissionalizante) indicam que uma em cada cinco jovens já faltou à escola por falta de absorventes, o que prejudica o desempenho escolar e a inserção no mercado de trabalho, criando um ciclo de marginalização.
Além disso, a ineficácia das políticas públicas agrava a pobreza menstrual, já que o Estado ainda não implementou medidas abrangentes para garantir acesso gratuito a esses produtos essenciais. Em contrapartida, a Escócia adotou programas de distribuição gratuita de absorventes, reduzindo significativamente o impacto da pobreza menstrual em suas jovens. Esse exemplo evidencia a viabilidade de soluções para a questão no Brasil.
Diante disso, cabe ao Ministério das Mulheres, órgão responsável por promover a igualdade entre homens e mulheres, liderar um programa nacional de distribuição gratuita de absorventes em escolas públicas e postos de saúde, além da criação de campanhas de conscientização para desmistificar o tema e reduzir o estigma, favorecendo um ambiente escolar acolhedor. A medida promoveria igualdade de oportunidades entre mulheres de diferentes contextos socioeconômicos e garantiria a dignidade, essencial para o desenvolvimento pessoal e profissional.