A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 28/10/2024
A pobreza menstrual é uma questão problematica que afeta milhões de meninas e mulheres no Brasil, privando-as de acesso a produtos de higiene e saúde básicas como absorventes e remedios, e comprometendo seu direito à saúde, educação eedignidade como ser humano. Essa condição é reflexo das profundas
desigualdades sociais do país e afeta desproporcionalmente pessoas em situação de vulnerabilidade, também apresenta problemas enraizados na nossa sociedade como a desigualdade de gênero.
Em primeiro lugar, a precariedade econômica impede que muitas mulheres e meninas tenham acesso regulares a absorventes, o que as obriga a improvisar com materiais como pedaços de pano, expondo-as a infecções e doenças. Essa falta de acesso também afeta a educação: porque segundo dados da UNICEF e UNFPA, uma em cada quatro adolescentes já deixou de ir a escola por não ter absorventes prejudicando seu rendimento escolar e contribuindo para a evasão em sua educação, o que limita suas oportunidades de uma vida melhor no futuro.
Além disso, por conta da falta de políticas publicas em torno da menstruação eficazes aprofundam essa desigualdade. Enquanto países como a Escócia implementam políticas que permitem a distribuição gratuita de produtos menstruais, no Brasil essas iniciativas ainda são praticamente limitadas. No ano de 2021 o veto ao projeto de lei que buscava distribuir absorventes para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua ilustra a falta de prioridade em políticas para combater a pobreza menstrual.
Assim, a pobreza menstrual reflete e é uma desigualdade estrutural que exige políticas públicas inclusivas e conscientização sobre dignidade menstrual. Promover acesso a produtos menstruais é garantir o direito básico à saúde e à educação de mulheres e meninas, diminuindo a exclusão social e ampliando as oportunidades para todas as brasileiras.oportunidades para todas as brasileiras.