A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 28/10/2024

A pobreza menstrual é um reflexo da desigualdade social que afeta milhares de brasileiras, privando-as de um direito essencial: o acesso a produtos de higiene menstrual. A falta desses itens impede mulheres e meninas de realizarem atividades cotidianas, como ir à escola ou ao trabalho, o que reforça ciclos de exclusão e vulnerabilidade. O documentário Absorvendo o Tabu (2019), vencedor do Oscar, evidencia como o estigma e a falta de acesso a absorventes impactam a vida de mulheres em situação de pobreza, ilustrando uma realidade global que também se reflete no Brasil.

Na educação, a pobreza menstrual tem consequências severas. Muitas estudantes faltam às aulas ou até abandonam a escola por não terem absorventes, comprometendo seu desempenho e perpetuando desigualdades sociais. Segundo a ONU, uma em cada dez meninas ao redor do mundo perde dias letivos durante o período menstrual. Assim, a falta de acesso a produtos básicos compromete não apenas o aprendizado, mas também limita as oportunidades futuras, ampliando o ciclo de pobreza e exclusão social.

Além da educação, a saúde é outro setor gravemente afetado. A ausência de itens higiênicos adequados obriga mulheres a recorrerem a alternativas insalubres, como papel ou miolo de pão, aumentando o risco de infecções e doenças. No Brasil, esse problema é agravado pela alta carga tributária sobre absorventes, que são tratados como artigos de luxo. Assim como mostra Absorvendo o Tabu, é necessário combater não apenas o estigma em torno da menstruação, mas também desenvolver políticas públicas para garantir acesso universal a esses produtos.

Dessa forma, é fundamental que o Brasil adote medidas para combater a pobreza menstrual, como a distribuição gratuita de absorventes em escolas e postos de saúde. Também é essencial promover campanhas de conscientização para reduzir o tabu em torno da menstruação. Assim como no documentário Absorvendo o Tabu, é urgente que a sociedade brasileira encare essa questão com seriedade e empatia, buscando soluções que garantam dignidade e inclusão para todas as mulheres.