A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 30/10/2024
A Constituição Federal de 1988 (CPF) assegura a isonomia - princípio geral do direi-
to segundo o qual todos são iguais perante a lei. No entanto, ao observar a pobreza menstrual vivida por uma grande parcela da população feminina, contasta-se uma realidade discrepante, marcada pela negligência do Estado Brasileiro diante dessa questão. Tal omissão corrobora para o crescimento da desigualdade social e econô- mica enfrentadas por essas mulheres. Com isso, torna-se extremamente urgente a-
nalisar os pilares da conjuntura: o setor social e o aspecto sociopolítico.
Diante desse cenário, destaca-se a banalização coletiva do problema. A esse res-
peito, no poema “O apanhador de desperdícios”, Manoel de Barros versa sobre a importância de não trivializar coisas e seres vistos como desimportantes. No entan- to, em contradição ao que o poeta propõe, as dificuldades sociais enfrentadas pelas mulheres no Brasil, especialmente em relação à saúde menstrual, tornaram-se banais aos olhos da sociedade. Isso ocorre em um contexto onde o ser humano, focado em sua individualidade, ignora problemas que não o afetam diretamente. Dessa forma, ocorre a invisibilidade desse tema, apesar de o poder público e a sociedade terem consciência de que a pobreza menstrual contribui para perpetuar a desigualdade de gênero.
Além disso, é essencial enfatizar a influência do quesito político como uma das ba-ses desse impasse. Sob essa perspectiva, Aristóteles sustentava que a eudaimonia – uma vida digna – depende da ética dos governantes na promoção da justiça. No entanto, a falta de compromisso do governo em implementar projetos eficazes para solucionar a pobreza ,instrução contraria esse princípio aristotélico. Ao ignorar a gravidade do problema e deixar de garantir o acesso a itens básicos de higiene para essas mulheres, o Estado contribui para a violação de seus direitos, agravando a vulnerabilidade dessas pessoas, que ainda enfrentam o estigma da menstruação.
Em suma, a pobreza menstrual no Brasil é um reflexo contundente da desigual- dade social e da omissão estatal, violando direitos fundamentais e perpetuando estigmas. Portanto é imprescindível que políticas públicas efetivas sejam imple-mentadas para garantir acesso a produtos de higiene e promover a educação menstrual. Para assim assegurar a dignidade e a saúde das mulheres.