A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 31/05/2025

O documentário “Absorvendo o Tabu”, da plataforma Netflix, retrata as vivências de mulheres indianas que produzem absorventes de baixo custo, as quais buscam superar o estigma da menstruação. Sob tal ótica, é fato que a realidade de pobreza menstrual apresentada pela obra é vivenciada por uma parcela da população, posto que a falta de dignidade menstrual não é contemplada no país. Logo, a partir desse contexto, é necessário discutir essa problemática de saúde, uma vez que a ausência de espaços de higiene e o custo alto dos absorventes contribuem para a manutenção desse reflexo de desigualdade social no território nacional.

Diante do exposto, é importante destacar que a carência de estruturas de higiene, tais como banheiros, constitui-se como um dos impasses para assegurar condições básicas às pessoas que menstruam. Nesse sentido, percebe-se que esses grupos, em idade escolar, enfrentam obstáculos referentes à falta de utensílios de higiene nas escolas, como papel higiênico, os quais impedem a contenção do fluxo menstrual. Tal panorama pode ser observado pela matéria do jornal O Globo, o qual mostra que mais de 1 milhão de alunas não possuem os materiais adequados para o período menstrual. Dessa forma, urge meios compatíveis à proteção dessas camadas vulneráveis, com o fim de frear o acesso desigual à dignidade menstrual.

Outrossim, é válido ressaltar que as diferenças sociais também descortinam marcas na obtenção dos absorventes, visto que esses produtos apresentam preços elevados para determinados segmentos da sociedade. Nesse contexto, nota-se que, devido ao valor desses itens, nas prisões, mulheres privadas de liberdade precisam recorrer às soluções alternativas, como sacolas plásticas, durante a menstruação. Tal cenário pode ser constatado no documentário “Pobreza Menstrual”, o qual mostra os efeitos na vida desses indivíduos, tal qual a falta de autoestima. Desse modo, é crucial combater essa conjuntura de violações.

Portanto, entende-se que medidas são essenciais para atenuar esse quadro atual. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, junto às prefeituras, implantar projetos de dignidade menstrual, por meio de verbas, com a distribuição gratuita de itens básicos de higiene, nas escolas e nos presídios, com o intuito de efetivar direitos. Assim, será possível garantir a saúde das pessoas que menstruam.