A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 27/09/2025

No livro “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector, a personagem Macabéa é uma jovem marginalizada do interior de Alagoas. A protagonista não possui assistência econômica e sua saúde se torna fragilizada. Saindo da ficção, pode-se analisar esse cenário através da óptica brasileira, no momento em que jovens e mulheres precisam improvisar todos os meses -durante a menstruação- por não possuírem absorventes para o cuidado vaginal. Dessa forma, reconhecer a pobreza menstrual como reflexo de desigualdade social e buscar meios para a sua redução no Brasil.

Nesse viés, uma frase que pode ser inserida nessa temática é: “Não basta existir, é preciso pertencer” também da escritora apresentada. Interpretando-a, significa que não existirá cidadania enquanto não existir o próprio cidadão. Assim, a população feminina que sobrevive em condições sub-humanas, como a falta de absorventes higiênicos, acaba se tornando invisível e vitimizada pelo fato de ter seus direitos negligenciados por órgãos públicos. Por conta disso, é importante que seja realizada uma investigação de dados sobre essa comunidade cuja pauta se refere a saúde pública e investimentos para garantir o direito à vida das brasileiras.

Além do mais, para que essas ideias sejam realizadas é preciso a participação de órgãos públicos, como o próprio Estado brasileiro, para incentivar e realizar a distribuição gratuita de absorventes em farmácias ou em postos de saúde. Através dessa perspectiva, surgiria a união entre o Estado e a sociedade, promovendo o conceito de cidadão anteriormente citado. Desse modo, a pobreza menstrual seria reduzida e a participação feminina ampliada, uma vez que não precisariam ter

sentimento de vergonha ou se “isolarem” pela ausência desse artefato.

Por conseguinte, é imprescindível a participação do Governo Federal, por meio do Ministério das Mulheres para promover a integração feminina através da distribuição de serviços públicos, mais especificamente a entrega de absorventes, em postos de saúde e farmácias para garantir os direitos das mulheres. Essa campanha deve ser divulgada por meio de propagandas televisivas e redes sociais como o Instagram para maior adesão da população jovem. Dessa maneira, através da participação social será possível reduzir a pobreza menstrual e a desigualdade no Brasil.