A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 20/07/2025
A data 28 de maio é o Dia Internacional da Dignidade Menstrual. Entretanto, mesmo que a menstruação seja uma característica fisiológica de toda mulher, ela reflete a desigualdade de acesso a um item fundamental da higiene feminina: o absorvente higiênico. Logo, é pertinente analisar o acesso ao saneamento básico e à educação como alguns dos fatores associados à probreza menstrual, problema que aflinge mais de 4 milhões de brasileiras, segundo a UNICEF.
Diante desse cenário, é importante refletir o acesso ao saneamento básico pela população como um reflexo da desigualdade social no Brasil atrelado à pobreza menstrual, visto que, segundo o Instituto Trata Brasil, 16,9% dos brasileiros não possuem água em suas casas. Com isso, a higiene feminina é limitada, o que favorece quadros desfavoráveis de saúde, como a candidíase e a infeccção urinária. A título de exemplo, para a economista Miriam Leitão, muitos problemas de saúde seriam resolvidos se o governo investisse mais em saneamento básico. Porém, a má distribuição do saneamento reflete a desigualdade de higiene no país, e consequentemente, contribui para a pobreza menstrual da população.
Em um segundo momento, um fator que associa a pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil é a educação, dado que a carência de conhecimento sobre a fisiologia da mulher e de suporte das escolas são alguns dos motivos que levam a faltas letivas e, inclusive, a evasão escolar. Nisso, de acordo com a UNICEF, no Brasil, uma em cada quatro mulheres faltam as instituições escolares quando estão menstruadas. Logo, a educação e a pobreza menstrual são inversamente proporcionais: Quanto menor a educação das mulheres, maior o pobreza menstrual em que estão inseridas.
Portanto, o acesso ao saneamento básico e à educação são alguns dos fatores que associam a probreza menstrual à desigualdade social no Brasil. Posto isso, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério das Cidades, por meio da união com empresas privadas, expandir o saneamento básicas para todas as cidades no país. Além disso, em parceria com o Ministério da Educação, por meio de palestras sobre a fisiologia feminina, instruir as mulheres sobre esse tema. De modo que a dignidade menstrual seja todo dia.