A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 16/09/2019
No livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, o escritor descreve a precariedade vivida por jovens em situação de rua na cidade de Salvador e que são marginalizados pela sociedade e governo. De fato, a realidade brasileira não se encontra tão distante do romance, uma vez que a população em situação de rua é segregada cada dia mais. Assim, devido as ineficientes políticas governamentais, somado ao individualismo impregnado na modernidade, essa minoria cresce de maneira exponencial e urge medidas para minimizar essa mazela.
É válido ressaltar, antes de tudo, que o vício e a falta de oportunidade no mercado de trabalho são os principais motivos que levam os indivíduos a morarem nas ruas. Sobre isso, o Ministério do Desenvolvimento Social realizou pesquisas em que dados evidenciaram o alcoolismo e vício em drogas a alavanca que levou 40% dos entrevistados a morarem nas vias públicas; além de, também, comprovar que 50% possuem somente o primeiro grau completo e, assim, sem qualificação para o mercado. Destarde, esse cenário mostra a ineficiente política governamental na questão da saúde pública e educacional, já que, se houvessem medidas eficientes nesses setores, o número de viciados seria menor e, o de desempregados, menor.
Deve-se salientar, ainda, que o individualismo da modernidade contribui para a continuidade da segregação dos moradores de rua. Como exposto pelo sociólogo Frances Pierre Bordieu, os indivíduos preocupam-se apenas com sua bolha social. Sob esse ângulo, a sociedade não atua na problemática pois não afetam-na diretamente, uma vez que os moradores de ruas estão fora da bolha social da grande maioria da população. Dessa forma, essa minoria é cada vez mais marginalizada na sociedade e esquecida pelo Estado, uma vez que não pertencem a teias interdisciplinares que afetam imediatamente as camadas sociais mais altas.
Infere-se, portanto, que urge a atuação estatal na problemática. Logo, cabe ao Governo Federal campanhas para a alfabetização de moradores de rua, além de oferecer cursos técnicos e gratuitos especificamente para essa população, no intuito de prepará-los para o mercado de trabalho e, assim, tirá-los das ruas. Ademais, cabe a ONGs culturais, em conjunto com programas televisivos influentes- como o Fantástico, ações para conscientizar a população acerca dos moradores de rua e, para isso, pode realizar documentários em que mostre a vida e o que levou os indivíduos a morarem nas ruas, no intuito de remodelar o olhar da sociedade sobre essa população, cansando, naqueles, empatia e compaixão. Desta forma, toda a sociedade tirá uma nova visão sobre a população em situação de rua e exigirá mudanças para incluí-las.