A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 10/03/2020
Na adaptação cinematográfica do livro “O vendedor de sonhos”, de Augusto Cury, o enredo explora o contato de um renomado psicólogo com um mendigo, evidenciando o modo de viver simples do mesmo e a sua tentativa de auxiliar pessoas, embora sofrendo preconceitos por sua condição. Fora da ficção, no entanto, a presença de pessoas em situação de rua, no Brasil, evidencia-se como um grave problema social, sendo corroborado não só pela superposição dos interesses econômicos em relação à empatia humana, como também pelo preconceito ainda vigente no mercado de trabalho.
Em primeiro plano, a excessiva valorização econômica em detrimento do ser humano cataliza tal problemática. Na visão exposta pela filosofia marxista, é evidenciado o capital como um dos fatores corroboradores da divisão social. De forma similar a esse pensamento, a suposta necessidade constante de lucro impulsiona o ato de repulsa dos moradores de rua da frente de lojas e de estabelecimentos, tendo como pretextos possíveis pertubações aos clientes. Nesse sentido, a falta de empatia para com a situação do próximo e a negação do auxílio, além de perpetuarem o ato de exclusão, favorecem o encobertamento dessa conjuntura, tudo em nome do capital.
Ademais, convém ressaltar o preconceito ainda atuante no mercado de trabalho como fator tonificador desse entrave. De acordo com a pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, no ano de 2008, cerca de 47,7% dos moradores de rua entrevistados afirmaram nunca terem trabalhado formalmente. Por essa perspectiva, a predominância da informalidade entre os moradores de rua deve-se, dentre outras coisas, pela discriminação ainda vigente. Devido à aparência descuidada, a prática do pré-julgamento em relação ao conhecimento técnico do morador sobrepõe-se, muitas vezes, ao seu empenho, fato que torna a contratação dificultada. Assim, a desistência da busca de emprego ou a recorrência à informalidade, sendo esta com baixos salários, vigoram, contribuindo para a imutabilidade da situação.
Dessa forma, observa-se os entraves em relação à população em situação de rua no Brasil. Para amenizar esse problema, no entanto, é importante que o Governo Federal elabore políticas públicas que cedam reduções fiscais para empresas privadas a partir da contração de um determinado percentual de moradores de rua entre seus funcionários. Isso feito, portanto, com o objetivo de introduzi-los no mercado de trabalho e de aumentar a taxa de emprego formal entre os mesmos. Além disso, a atuação popular, por meio da denúncia de casos de maus-tratos é essencial. Colocando-se em prática tais pontos, será evidente a redução da ocorrência desse grave empecilho social, assim como uma eficaz “venda de sonhos” para os moradores de rua, tal como descrito no título dado por Cury.