A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 04/09/2019
A série “Todo Mundo Odeia o Chris” retrata a adolescência do comediante Chris Rock. Em um de seus episódios, Golpe Baixo, um “sem teto”, conta ao garoto sobre os desafios de morar na rua. Fora da ficção, a população em situação de rua vai ao encontro da realidade da personagem, visto que tal minoria vulnerável enfrenta graves conjunturas. Sob esta ótica, é fundamental analisar como a falta de políticas públicas e o preconceito constituem parte desses problemas e como liquidá-los.
Conforme sintetizou o filósofo Thomas More, em seu livro “Utopia”, enquanto a sociedade não der o mínimo de recursos para cada um de seus cidadãos, ela se distanciará do progresso. Nessa lógica, nota-se que a insuficiência de políticas as quais atestam a inserção dos moradores de rua no âmbito social intensifica os obstáculos confrontados por eles. Prova disso é o dado divulgado pelo Senado, em que cerca de 48% dos sujeitos que habitam vias públicas nunca foram contemplados com qualquer tipo de emprego formal. Tristemente, a inoperância estatal no que tange à criação de medidas democráticas resulta em um verdadeiro regresso, tal como provou More.
Outrossim, é inegável que o preconceito é outro empecilho que merece ser pautado. Segundo o filósofo Michel Foucault, a intolerância surge quando a comunidade pré-define padrões para a normalidade e, posteriormente, reprime quem não se adequa. Nesse sentido, observa-se o fato em questão no esteriótipo errôneo carregado por essa camada excluída, em que, majoritariamente, são taxados de “vagabundos” e “perigosos”. Lamentavelmente, embora o artigo 5° da Constituição Federal assegure à igualdade, o preconceito impregnado fere a Magna Carta, à medida que retira a civilização de tais indivíduos, tornando-se invisíveis em meio a nação “verde e amarela”.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigar os entraves acerca da população em situação de rua no país. Diante dessa afronta, a fim de suprimir a carência de políticas inclusivas, integrando-os socialmente, é primordial que o Ministério do Desenvolvimento Humano crie o “Programa de Auxílio a População em Situação de Rua”, o PAPSIR, que concederá moradia em conjuntos habitacionais, empregos nas mais diversas empresas, além da formação educacional e profissional dos “sem tetos”, por intermédio de capitais doados pela União e votação por ação legislativa. Por fim, cabe à mídia transformar a concepção da nação, mostrando alternativas de ajuda, mediante comerciais e anúncios na internet, com o fito de promover a tolerância. Só assim, a população em situação de rua será, finalmente, valorizada.