A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 06/09/2019

No livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, é abordada a vida de Pedro Bala, o qual vive em um trapiche, às margens da sociedade. Tal local, é também habitado por outros meninos cuja sobrevivência é baseada em atos ilícitos. Fora da ficção, o cenário é ainda mais alarmante, uma vez que a população brasileira em situação de rua enfrenta um preconceito cristalizado, como também depara-se com empecilhos no âmbito laboral. Convém, portanto, analisar de maneira crítica essa problemática.

Em primeiro aspecto, a urbanização do Rio de Janeiro concretizou-se da seguinte forma: a sociedade pobre foi retirada das áreas centrais da cidade, sendo obrigada a deslocar-se para os morros, constituindo-se assim as favelas e uma capital “pseudoeuropeia”.Nesse contexto, é perceptível que a segregação dos moradores de rua advém de um contexto histórico, refletindo, hodiernamente, em um preconceito para com aqueles que têm as ruas como morada. Dessa forma, os moradores de rua são intitulados como mendigos por grande parte dos brasileiros, em que ora são invisíveis ora são associados a ladrões, tal qual no Rio de Janeiro do século XIX. Em consonância com a perspectiva de Nietzsche, em sua obra Zaratustra, o homem precisa libertar-se do primeiro estágio do espírito denominado de camelo em que ele permanece submisso aos padrões da sociedade, por isso ignorante.

Paralelo a isso, embora a Constituição cidadã de 1988 garanta a igualdade de todos perante a lei, não há a concretização dessa isonomia. Sob tal ótica, a população que vive nas ruas e sofre com a negligência do Estado encara desafios para a obtenção de um emprego, visto que a ausência de uma educação efetiva e o não asseguramento dos direitos civis desses cidadãos diminuem a probabilidade de adquirirem um trabalho. Logo, segundo a Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua,  48,4% dos moradores de rua possuem o primeiro grau incompleto, o que potencializa as dificuldades de inserção no mercado de trabalho, além de reforçar os ideais de Karl Marx, de que sempre haverá uma luta de classes embasada na desigualdade social.

Enfim, com o intuito de que os Capitães da Areia deixem de representar a realidade brasileira, medidas são necessárias. A priori, é mister que as escolas, em parceria com o Ministério da Educação, por meio de videoaulas no Youtube, promovam debates acerca da situação de vida dos moradores de rua, a fim de angariar indivíduos menos ignorantes e a par das estratificações sociais presentes no país. A posteriori, cabe ao Estado por intermédio do SENAI obter profissionais capacitados a ofertar uma educação ampla àqueles que se encontram à mercê da nação, visando uma maior representatividade desses no mercado de trabalho, assim haverá um mudo menos excludente e que supera a perspectiva de Nietzsche.