A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 15/09/2019

A obra modernista Capitães de Areia do escritor Jorge Amado, retrata a vida difícil de um grupo de crianças e adolescentes abandonados, que vivem na rua em situações precárias. Fora do âmbito literário, o contexto atual brasileiro dos milhares de moradores de rua não é diferente; essa minoria sujeita à péssimas condições de vida e violências, veem seus sonhos cada dia mais distantes de se concretizarem. Logo, direitos de igualdade e moradia assegurados pela Constituição, na prática, não se prestam a essa parte da população marginalizada pela sociedade.

Dentre os principais motivos que levam muitos indivíduos à situação de rua, podem-se destacar: alcoolismo, drogas,e conflitos familiares; sendo o desemprego o maior destes. Diante de tamanha precariedade e ausência de efetivas ações governamentais destinadas a essa questão, pessoas como o Pe. Antônio Vieira, fundador da Pastoral de Rua, na Arquidiocese de São Paulo, se dispõem a ajudar. Seja com a doação de alimentos, produtos de higiene, roupas, cobertores, ou até mesmo um ombro amigo, conversas e atenção, percebe-se a vontade de muitas pessoas em mudar o cenário calamitoso vigente no país, no que se refere aos cidadãos residentes na rua.

Não apenas as péssimas condições de vida que os moradores de rua estão sujeitos, esses ainda tem de enfrentar uma rigorosa exclusão social consoante ao desrespeito de muitos. Tais fatores são vivenciados por exemplo, na falta de oportunidades de emprego, abusos de autoridade nos albergues -disponibilizados por orgãos governamentais-, juntamente com atos de violência por parte de indivíduos comuns e até mesmo da polícia. Assim sendo, faz-se importante lembrar que nem todo morador de rua é marginal.

Portanto, diante do cenário exposto, é necessário que medidas sejam tomadas a fim de se assegurar os direitos de tais cidadãos, como também estabelecer objetivos pra sua melhoria de vida. Primeiramente, é dever do Estado, juntamente com as prefeituras, disponibilizar moradias estruturadas aos moradores de rua, como também acesso à saúde, educação e segurança, fazendo jus à Constituição. Ademais, o Ministério da Saúde deve se esforçar na luta contra o alcoolismo e o uso de drogas, possibilitando mais acessos gratuitos às casas de recuperação, bem como a inserção de profissionais de saúde nas regiões marginalizadas. Políticas como essas, se aplicadas, serão imprescindíveis para que os “Capitães de Areia” do cenário atual tenham acesso a vida e futuro dignos.