A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 18/09/2019
A população em situação de rua é composta majoritariamente por pessoas pobres da periferia - de acordo com uma pesquisa realizada pelo Senado em 2008 - e isso é reflexo das mudanças de elitização dos espaços urbanos: com as reformas de Pereira Passos e a gentrificação dos centros, a periferia e os problemas sociais cresceram, principalmente o desemprego devido à alta concorrência para as poucas vagas oferecidas. Logo, o decréscimo de renda levou parte da população a recorrer às ruas como forma de moradia. Contemporaneamente, o preconceito enraizado com as pessoas em situação de rua por parte do povo perpetua a exclusão dessa parcela que, aliado à inobservância do Estado em prover condições que amenizem a situação, torna esse cenário mais corriqueiro no Brasil.
Em primeiro plano, a população como um todo é responsável pela manutenção desse contexto ao reafirmar comportamentos excludentes e egoístas. Fatores como a aversão à convivência com elas em espaços públicos ou o preconceito ao contratá-las para uma vaga de emprego exemplificam atitudes que comprometem a reintegração das pessoas em situação de rua à sociedade. Dessa forma, a falta de oferta de trabalho e de inclusão em ambientes comuns - como as medidas que proíbem a circulação dessas em shoppings, adotadas, por exemplo, pelo grande shopping de Curitiba, de acordo com o jornal A Gazeta do Povo, contribui para a continuidade dessas pessoas nas ruas, uma vez que não há geração de renda para custear as despesas de uma moradia nem o respeito às liberdades pessoais.
Além disso, o alarmante número de pessoas em situação de rua é resultado de um governo inobservante à essa questão, pois não há políticas públicas efetivas que mitiguem a situação. A falta de ambientes de acolhimento para tais pessoas, como casas temporárias e restaurantes populares, favorece a perpetuação delas nas ruas e às condições injustas e desumanas nas quais estão submetidas. Logo, subprodutos da ineficiência do Estado em prover medidas inclusivas e acessíveis que garantam a dignidade da vida dos indivíduos em questão, como são asseguradas pelo artigo 5 da Constituição, esses moradores têm sua realidade perpetuada pela configuração de um poder público falho e ausente que não representa os interesses daqueles que mais precisam.
Dessarte, medidas que visam amenizar os crescentes números de pessoas em situação de rua são necessárias. Para tal, o Ministério da Cidadania deve promover um projeto para construção de casas de acolhimento temporário que forneçam alimentação, conforto e oportunidades para que essas pessoas sejam reinseridas à vida digna social, por meio do trabalho de voluntários de Organizações Não-Governamentais. Essa proposta sugere o atendimento às pessoas que mais necessitam e que por tanto tempo foram excluídas, para que, finalmente, elas tenham uma nova chance de recomeçar.