A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 26/09/2019

A obra “Capitães da Areia”, do autor modernista Jorge Amado, retrata o cotidiano de um grupo de meninos em situação de rua, mostrando a realidade daqueles que vivem à margem da sociedade, entregando-se a marginalização para sobreviver. No entanto, na contemporaneidade, essa situação perpassa o mundo fictício, espalhando-se à esfera social, uma vez que é motivada pelo descaso governamental, somada a lógica da seleção natural capitalista , na qual os mais “aptos” sobrevivem.

Em primeira análise, sabe-se que os direitos básicos de acesso à moradia e a alimentação, são assegurados pela Constituição Federal de 1988. Contudo, fora do âmbito legal, percebe-se o enorme descaso governamental em garanti-los às populações em situação de rua. Soma-se a isso, o desinteresse da sociedade na reintegração desses indivíduos, que se associa ao preconceito e concepção de que estes estão nessa situação por “escolha própria”. Em decorrência da escassez de projetos públicos que tenham como objetivo retirar essas pessoas desse meio, fornecendo-lhes seus direitos básicos de acesso a moradia segura, os índices de violência e criminalidade crescem nessa parcela que vive a margem da sociedade brasileira, sem perspectivas de ascensão social.

Em segunda análise, a lógica capitalista intensificou o processo de exclusão social e submeteu essa parcela populacional a situações de miséria que as levaram à rua. Desse modo, a falta de condições econômicas e de oportunidades no mercado de trabalho, dentro de uma esfera capitalista, são responsáveis por degradar a saúde mental dos cidadãos, que diante de situações como as supracitadas sentem-se impotentes. Diante disso, o uso de substâncias entorpecentes nestes locais é comum, uma vez que, são considerados “amenizadores” para os problemas. Em decorrência dessas condições subumanas, que se aliam ao preconceito social em contratar um morador de rua, essa população, vive na marginalidade e insegurança.

José Saramago, em sua obra “Ensaios sobre a cegueira”, ressalta a necessidade de se atenuar problemáticas sociais afirmando:“se podes olhar, vê, se podes ver, repara”. Desse modo, o Governo Federal deve, desenvolver projetos de construções de escolas, bem como destinar investimentos à educação– especialmente em áreas carentes- incentivando a população a concluir as séries iniciais e a ingressar em cursos profissionalizantes, além de auxiliar o encaminhamento dessas pessoas para o mercado de trabalho. Do mesmo modo, é dever da mídia e de grupos sociais, realizar campanhas de conscientização da população, no quesito preconceito. Ademais, é dever do estado transferir investimentos de presídios e auxílios a políticos à educação e geração de empregos. Espera-se com isso que os moradores de rua possam ter condições de ascensão para sair desse meio degradante.