A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 08/10/2019

São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Contudo, a questão da população em situação de rua contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, esse grupo é vítima de discriminação constante. Sob essa ótica, percebe-se a consolidação de um grave problema de contornos específicos, seja em virtude das questões políticas, seja pela indiferença por parte dos seres humanos.

Convém ressaltar, a princípio, que a insuficiência de leis caracteriza-se como um complexo dificultador. Conforme Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade. Contrariamente, no Brasil, os moradores de rua não encontram o respaldo político necessário para ser solucionado, o que dificulta a resolução do problema. Desse modo, os governantes devem voltar seu olhar à questão, a fim de propor medidas que solucionem as circunstâncias.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão do individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo egoísmo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange aos moradores de rua. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Sendo assim, essa liquidez que influi sobre a questão funciona como um forte empecilho de sua resolução.

Torna-se evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, é imperioso uma ação da Secretária Especial de Direitos Humanos, que deve, por meio de campanhas midiáticas, divulgar os direitos da população de rua, com o fito de combater à invisibilidade social e de aumentar o número de abrigos. Ademais, as escolas devem abordar o tema de intolerância, através de disciplinas , bem como História, Filosofia e Sociologia, discutindo questões éticas e sociológicas, com vistas a combater o preconceito. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe com mais compaixão as pessoas em situação de rua, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.