A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 07/10/2019
A obra “Capitães da areia”, do escritor modernista Jorge Amado, narra a história de um grupo de crianças abandonadas por suas famílias, que acabam tendo que viver nas ruas e manter-se por meio de pequenos delitos. Analogamente, nota-se que a luta pela sobrevivência nas ruas é uma realidade no mundo atual. Nesse sentido, destacam-se como principais razões desse conflito as falhas no sistema econômico vigente e a forma como a sociedade trata essa população.
Observa-se, em primeira instância, que a crise econômica acentua a existência de pessoas em situação de rua no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,6 milhões de brasileiros encontram-se fora do mercado de trabalho. Por sua vez, o desemprego dificulta o pagamento de aluguel e o suprimento de necessidades básicas, como saúde e alimentação, fazendo com que famílias inteiras migrem para as ruas. Nessa perspectiva, é necessário investir em políticas públicas voltadas à geração de empregos, sobretudo, à contratação de pessoas menos favorecidas economicamente.
Deve-se abordar, ainda, que a sociedade tende a tratar os moradores de rua com inferioridade e até mesmo desumanização. De acordo com o filósofo francês Bourdieu, os indivíduos estão sujeitos a reproduzir a estrutura social na qual estão inseridos. Nesse sentido, é possível notar como o ato de banalizar os moradores de rua, mesmo que inconscientemente, flui pela população, visto que ignoram sua existência e os excluem da sociedade, gerando, assim, uma invisibilidade social. Assim sendo, tal invisibilidade não apenas contribui para que essa situação perpetue, como também afeta a autoestima dessas pessoas, podendo causar danos profundos, como a depressão.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social investir em um conjunto de políticas voltadas ao bem-estar dessa população, por meio de serviços socioassistenciais, acesso à educação e saúde. Ademais, em parceria com a Receita Federal e apoio do Governo, deve trabalhar na construção de moradias temporárias, com acesso a meios de profissionalização, com o fito de dar a oportunidade dessas pessoas reconstruir suas vidas e entrar no mercado de trabalho. Por fim, visando reduzir a invisibilidade social, as escolas, com o apoio da prefeitura local, devem promover a interação de alunos, comunidades e pessoas em situação de rua, por meio de projetos sociais e incentivo à criação de grupos comunitários, como o “Anjos da noite”, para ajudar com sopões e doações de roupas e agasalhos, levando, assim, um pouco de felicidade para aqueles que vivem numa realidade tão dura.