A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 08/10/2019

Na música de Gabriel Contino, O resto do mundo, que trata da marginalização e descaso com os mais pobres, muitas vezes em condições tão extremas que vivem nas ruas e são considerados indigentes. Além disso, a negligência do poder público em relação a esse assunto faz com que a situação não seja solucionada. Dessa maneira, é primordial analisar a falta de engajamento social e a baixa atuação do Estado nesse impasse.

De fato, há uma visível segregação em pauta, pois a impetuosidade contra os desprovidos tem se tornado comum e demonstra a incompetência da sociedade em acolher e dar um encaminhamento a essas pessoas. Como relata o Pe. Júlio Lancellotti, vigário episcopal do povo de rua: “Hoje vivemos no Brasil uma epidemia de violência contra a população de rua. Parece que eles viraram o bode expiatório ou que, ao atingi-los, as pessoas estão fazendo um bem, tirando dos nossos olhos aquilo que nos incomoda”. Sendo assim, o Brasil registrou ao menos 17.386 casos de violência contra moradores de rua de 2015 a 2017, segundo o Ministério da Saúde. Um acontecimento preocupante, pois, o número leva em conta os casos em que a motivação principal do ato violento era a evidência de a pessoa estar em situação de rua.

Tal como relata o escritor inglês, Aldous Huxley, “fatos não deixam de existir apenas porque são ignorados”. De certo, ato como este citado por ele ocorreu no país nas Olímpiadas de 2016. Segundo reportagem do UOL, a defensoria pública constatou que pessoas em situação de rua vêm sendo expulsas de forma truculenta dos locais públicos em que costumam ficar. O objetivo seria escondê-la dos turistas durante a Olimpíada. Acrescenta-se, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) é responsável por 49% das violações cometidas contra a população de rua (24% por agentes da Operação Choque de Ordem), seguida pela Guarda Municipal (17%) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social - SMDS (14%). Algo como inaceitável, já que são os próprios órgãos que deveriam garantir o bem deles.

Logo, para que minimize o descuido em relação a tal problemática, é dever do Ministério da Cidadania, por meio de acordos intermunicipais, criar projetos de seguranças direcionados à população em situação de rua, como abrigos estáveis e formas de reestruturação, com o fito de que possam ser menos vulneráveis, e, assim, diminuir a violência causada a eles.