A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 11/10/2019

De acordo com o geógrafo Milton Santos, a pobreza não pode ser estudada da mesma forma que as cidades, visto que é incapaz de ser problematizada com argumentos claros. Além disso, tal impasse está diretamente ligado à população em situação de rua no Brasil, pois, em plena era tecnológica, a globalização busca oprimir as parcelas marginalizadas. Nesse viés, convém analisar os problemas desse impasse.

Ainda de acordo com Santos, a realidade geoeconômica brasileira tem preceitos adquiridos no cultivo arcaico da globalização, fator que fomenta a pobreza urbana, uma vez que a a própria modernização exclui os pobres, especificamente, os moradores de rua. Isso dá-se pelo fato do lucro, já que a sociedade elitista inviabiliza a inclusão dos segregados, tanto pela especulação imobiliária quanto pelo isolamento geográfico proposital, gerando cada vez mais a exploração da miséria, bem como locais impróprios para viver.

Outrossim, com base em um estudo do IBGE, mais de dois milhões de brasileiros vivem nas ruas. Esse dado alarmante é ascendente, tal como o descaso por parte do Estado, tendo em vista seu papel de resguardar os direitos de dignidade da pessoa humana quanto à moradia. Convém analisar que, infelizmente, a negligência por parte dos órgãos competentes transcende o preconceito, gera a sensação de falta de pertencimento social entre a classe oprimida, haja vista que um lar denota expressão de identidade.

Portanto, para que a população em situação de rua seja enxergada, são necessárias mudanças na forma como o Estado e a globalização tratam tal grupo. Para tanto, o Estado, por meio das suas três esferas, deverá fortalecer as políticas públicas voltadas à essa população, com o intuito de gerar renda e emprego à classe, o que vai possibilitar inclusão social, além de garantir a dignidade humana. Assim, o contexto histórico de desigualdades e exploração será modificado na realidade dos moradores de rua.