A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 24/10/2019
“Por ter um pão para comer. Por ter um chão para dormir”. Estes são os versos da canção “Construção” de Chico Buarque, a qual refletem a condição, extremamente, desumana dos que têm seus direitos à alimentação e à moradia renegados. Sob esta ótica, a população de rua está invisível diante do resto da população, a qual prefere, para seu bem estar, ignorar a questionar e resolvê-la. Neste contexto, é imprescindível a análise de como e porquê ocorre a invisibilização dos moradores de ruas, a fim de que se desenvolva medidas públicas, que assegurem suas cidadanias no Brasil.
É importante ressaltar que há uma tendência do ser privilegiado, isto é, que possui e exerce seus direitos, a limitar seu campo de visão para com o resto da sociedade, já que em sua posição social, ele se encontra, confortavelmente, beneficiado. Nesta lógica, o escritor português José Saramago relata em seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”, há uma cegueira branca, a qual, aos poucos, contagia a todos e que os impede de reconhecer tal problema, o que os impede de mudar e de se responsabilizarem socialmente pelos moradores de ruas, o que torna estes invisíveis àqueles. Assim, nota-se a perpetuação do problema socioeconômico dos desabrigados.
Outrossim, o escritor Machado de Assis afirma em seu livro “Quincas Borbas”: a melhor maneira de se apreciar o chicote é tê-lo nas mãos. Neste sentido, é preciso avaliar a exorbitante iniquidade social, a qual, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1% do mais ricos detém 34 vezes mais que metade dos mais pobres no país. Assim, aqueles que possuem o chicote, privilegiados de terem uma renda maior, conseguem desfrutar de seus direitos e apreciar, amplamente, a paisagem, sem ao menos, se preocupar com os desabrigados e, o pior, se o fazem, desejam retirá-los do seu espaço de convívio, pois os consideram uma poluição a estes ambientes elitistas. Essa visão, é retratada pela série brasileira 3%, a qual representa dois ambientes imiscíveis: o Continente, no qual seus moradores são, a maioria desabrigados, sem acesso a alimentação, saúde e lazer; e o Mar Alto, no qual seus moradores possuem acesso a todos os tipos de recursos e não desejam ir ou ter contato com as pessoas do Continente, pois já possuem o “chicote” nas mãos.
Desenvolver projetos, portanto, que minimizem a injustiça social é essencial, para a garantia dos direitos a todos. Neste âmbito, o Governo Federal deve ampliar e destinar mais verbas a programas como “Minha Casa, Minha vida” e “Bolsa Família”, a fim de os moradores de rua possam ter acesso a uma moradia, saúde e alimentos. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação melhore os materiais de escolas públicas, a fim de os alunos tenham acesso a uma boa educação, por conseguinte, maiores salários, para diminuir a desigualdade de renda. Só assim, todos serão visíveis.