A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 24/10/2019

A obra modernista Capitães de Areia do renomado escritor Jorge Amado, retrata a difícil vida de um grupo de crianças e adolescentes abandonados, que vivem nas ruas em situações precárias. Fora do contexto literário do século XX, o Brasil atual continua a passar por tais mazelas. Segundo dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que afirmam que em 2015, haviam 101.854 pessoas em situação de rua no país, sujeitas à péssimas condições de vida. Logo, direitos de igualdade, saúde e moradia, previamente defendidos pela Constituição, na prática não se destinam a grande parte dos brasileiros.

De acordo com o Senado Federal, a grande maioria dos indivíduos que residem nas ruas, chegam à tal situação principalmente pelo uso de drogas, alcoolismo, desemprego e desentendimentos familiares. Portanto, é possível identificar, ao contrário do que muitos dizem, que tais cidadãos não estão sujeitos à esse modo de vida porque querem, ou por serem simplesmente “desocupados”, e sim por falta de opções, apoio e ajuda, seja ela qual for. Por outro lado, existem pessoas que ao invés de fazerem julgamentos, se dispõem a ajudar: como o Pe. Antônio Lancelotti, criador da Pastoral de Rua (Arquidiocese de São Paulo), que desempenha um brilhante trabalho com os moradores de rua, oferecendo comida, utensílios de higiene pessoal, roupas; e o mais importante, carinho e atenção.

Não obstante às péssimas condições de vida que esses indivíduos estão sujeitos, o documentário “Eu Existo”, também aponta para as diversas demonstrações de exclusão social que estes encaram todos os dias pela sociedade, seja pela falta de oportunidades de emprego ou pelo desprezo que grande parte das pessoas esboçam para com eles. Consoante a tal desrespeito e invisibilidade, muitos cidadãos de rua tornam-se vítimas de doenças como a depressão, fazendo com que os vícios sejam cada vez mais difíceis de serem superados.

Destarte, para que tais questões sejam resolvidas e o índice de de moradores de rua decaia, é necessário que medida sejam tomadas; a começar pelo Governo, que fazendo jús à Constituição deve disponibilizar moradia, saúde, segurança e educação a tais cidadãos, prezando sempre pela qualidade das estruturas físicas e sociais de suas ações. Ademais, O Governo em parceria com o Ministério da Saúde, deve desenvolver projetos que objetivem ajudar viciados em álcool e drogas, por meio da construção de novas casas de tratamento para tais vícios, sendo o acesso a essas gratuito. Atitudes como essas, farão com que as pessoas residentes na rua tenham acesso á uma vida digna, e de qualidade, além de terem oportunidades de trilharem novos caminhos para suas vidas.