A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 21/10/2019

Para atingir o bem-estar, segundo o filósofo grego Epicuro, seria necessário à ausência de sofrimento em consonância com a tranquilidade da alma. Analogamente, a população em situação de rua se tornou um entrave para a sociedade brasileira atingir a máxima epicurista em seu corpo social, sobretudo pelo desamparo governamental, que a ignora e perpetua suas dificuldades de viver uma vida digna e plena. Isso pode decorrer da centralização industrial aliado ao baixo apoio dos setores públicos.

Em primeiro lugar, destaca-se a concentração empresarial como um dos fatores desencadeadores da problemática. A abertura ao capital estrangeiro, no início dos anos 60, no Brasil, foi responsável pela instalação de empresas internacionais no país. Entretanto, muitas alocaram apenas no Sudeste e, devido aos novos empregos, foram responsáveis pela significativa migração de uma população necessitada para essa região. Como desdobramento, os cargos estatais não foram suficientes para atender o crescente número de pessoas em busca de oportunidades e, sem muitas opções, os desempregados passaram a usar as ruas como moradia. Logo, parte desse problema advém da falta de planejamento governamental.

Além disso, o descaso do poder público atua como perpetuador desse cenário. Segundo o Ministério da Saúde, atualmente, mais de 60% dos moradores de rua possuem quadros psiquiátricos. As longas filas do sistema único de saúde, em consonância com a falta de amparo e programas que auxiliem esses indivíduos, são realidades enfrentadas por essas pessoas. Os subterfúgios governamentais , que mascaram esse problema, geram as dificuldades de tratamento médico e a reintegração dessas pessoas na sociedade, em decorrência de suas invisibilidades sociais. Desse modo, a permanência desse cenário, sem o amparo dos serviços públicos, se torna uma realidade.

Portanto, para auxiliá-las, urge que o Governo Federal, com o Ministério da Saúde e empresas privadas, priorize o tratamento e a inserção dessa população no mercado de trabalho, com a criação de um projeto atendedor das necessidades médicas, com a instalação de bases médicas e psiquiátricas em pontos estratégicos, e pela diminuição de tributos por instituições lucrativas empregadoras de indivíduos em situação de rua e a ampliação do subsídio público em casas para realocar essas pessoas em moradias, a fim de lhes proporcionar uma vida digna. Assim, será possível proporcionar o bem-estar social e realizar o pensamento epicurista na sociedade brasileira.