A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 31/10/2019
“O Brasil,último país a acabar com a escravidão,tem uma perversidade intrínseca na sua herança,que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade,de descaso” era o que acreditava o antropólogo Darcy Ribeiro.Essa afirmação pode ser relacionada com o tratamento destinado a população em situação de rua no Brasil.Entre as origens disso,estão às questões sociais e a profunda desigualdade social que marca a história do país.
A priori,destaca-se que,segundo dados do site oficial do Senado,os problemas com o uso de álcool e drogas somada às diferenças com a família são as principais causas para se sair de casa.Entre as possíveis causas para isso,estão o conceito ilusório do ideal de família que não leva em conta as especificidades do comportamento de cada indivíduo e a falta de conhecimento e apoio para lidar com um possível dependente de álcool ou psicotrópicos que,por serem estigmatizados pela sociedade,muitas vezes,não recebem o tratamento adequado para a sua doença.Em consequência disso,observa-se que essas pessoas ficam mais expostas à violência chegando,até mesmo,a cometer crimes para manter o vício ou simplesmente sobreviver ao meio em que se encontram.
Em segunda análise,observa-se a mudança sócio espacial que ocorreu nas cidades brasileiras,principalmente,a partir da década de 60 em que a especulação imobiliária aumentou os preços das moradias nas regiões centrais e o avanço na tecnologia provocou o fenômeno do desemprego estrutural.Essa mudança causou um agravo nas condições dos mais pobres,uma vez que,com a falta de qualificação para pleitear um emprego,faltam-lhes condições de adquirir um espaço nas periferias,que por serem afastadas do centro e não possuírem infraestrutura adequada,apresentam menores preços.Em decorrência disso,estar em condição de rua torna-se o único caminho encontrado,tendo como fonte de renda apenas o dinheiro feito pela venda de produtos recicláveis e doações de terceiros.
Em síntese,para se combater o abandono pela dependência química e o crescimento da segregação espacial,se faz necessário que as prefeituras firmem parcerias com ONG’S para acolher quem já está vulnerável,expandindo e cedendo espaços vazios para a construção de centros de acolhimento onde deve haver alojamentos adequados,alimentação e acesso a cuidados médicos.Ao mesmo tempo,o Ministério da Educação deve incluir em suas diretrizes a existência de cursos de capacitação profissional e EJA para que essa população tenha condições para se inserir no mercado de trabalho,a fim de,restabelecer a sua autonomia,contando com o apoio de todos para corrigir os aspectos históricos que contribuem para esse abismo social.