A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 30/10/2019

No livro Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, o protagonista se fantasia de morador de rua para conseguir informações sem chamar atenção. Já que a maioria das pessoas não dão a mínima para os indivíduos naquela situação. Não distante da ficção, a sociedade brasileira mimetiza a obra no que tange a conjuntura da população em situação de rua. Nesse contexto, percebe-se que a configuração de um grave problema de contornos específicos em virtude do abandono social e desrespeito  à dignidade.

Em primeira análise, o abandono desses cidadãos por parte do corpo social mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por regular as relações humanas e garantir o bem-estar social da população. Todavia, não é o que se observa na realidade hodierna, pois não há políticas efetivas que visem a reintegração dessa parcela na sociedade. Além disso, o resultado apresentado é a situação precária e desumana em que se encontram lutando pela sobrevivência atrás de abrigo e de alimento.

Ademais, o desrespeito à dignidade humana encontra terra fértil na conjuntura social. Segundo o portal de notícia G1, nos últimos 3 anos, o número de casos de violência contra pessoas em situação de rua foi cerca de 15 mil. Tal dado evidencia o preconceito e a intolerância que, infelizmente, é comum no cotidiano. Somando a isso, inúmeros casos televisionados de donos de estabelecimentos jogando água no local em que dormem, expulsando-os das calçadas e interrompendo-lhes um dos momentos do dia em que não estão sofrendo. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o preconceito contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Infere-se, portanto, que o bem-estar das pessoas em situação de rua encontra barreiras em seu pleno exercício. Dessa forma, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio das prefeituras locais, será revertido em programas sociais como “Minha casa, minha vida” que tem como objetivo tirar-los das ruas e mitigar os riscos de violência. Outrossim, gerar mais empregos mediado pelo Ministério do Trabalho e Emprego afim de reintegrá-los no tecido social. Somente assim, o Brasil se distanciará de maneira gradual da ficção apresentada na obra de Conan Doyle.