A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 29/04/2020

A Constituição cidadã, promulgada em 1988, garante a todos o direito à moradia, à saúde, à cultura e ao bem-estar social. Contudo, o ambiente em que a população em situação de rua no Brasil vive vai contra o previsto pela Magna Carta, uma vez que esses cidadãos não desfrutam de nenhum desses direitos.

Em primeiro lugar, é importante salientar a atual modernidade como a principal influenciadora dos conflitos que levam os cidadãos a viver em situação de rua. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a atualidade pode ser chamada de modernidade líquida, pois está em constante mudança, que se caracteriza pela individualidade e pela ânsia de novidade. Desse modo, a modernidade líquida contribui para que os indivíduos sejam mais egoístas e individuais, além de influenciar na concorrência no mercado de trabalho, propiciando, assim, para que haja um alto índice de desemprego no país.

Dessa forma, o desemprego dificulta que a população mais vulnerável mantenha seus direitos garantidos pela constituição, já que não possuem o capital para garanti-las. Outrossim, o descaso dos outros brasileiros em relação a esse grupo dificulta sua convivência na sociedade. Segundo dados do IBGE, em 2019, 10 mil brasileiros viviam nas ruas, mais de trinta por cento destes encontravam-se nesta situação devido ao desemprego, enquanto mais da metade já sofreu algum tipo violência. Assim, o desemprego aliado ao possível preconceito sofrido por essa população infringe um dos principais direitos da constituição cidadã.

Portanto, diante desse contexto, é imprescindível que o Governo, em conjunto da mídia, que é uma grande formadora de opinião, busque informar os cidadãos sobre as dificuldades vividas por pessoas em condições de rua no país, bem como incentivar os brasileiros a ajudá-los, por meio de ações voluntárias . Tal ato deve ser feito no intuito de diminuir o preconceito dos cidadãos em relação a essas pessoas, além de inseri-los novamente à sociedade. Ademais, o Estado deve garantir os direitos dessa minoria, por meio de construções de albergues e centros culturais, na intenção de lhes dar moradia, cultura e, também, trabalhos nas obras e em outras serviços públicos, só assim será possível que tal grupo tenha melhores condições de vida na modernidade atual.