A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 21/04/2020

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Atualmente, à luz do legado do filósofo, é notório que o pessimismo da modernização exerce coerção sobre as pessoas, fazendo com que elas permaneçam inertes diante de quadros negativos. Dessa forma, o cenário hodierno da invisibilidade dos cidadãos em situação de rua no país decorre devido à formação social e ao consumo excessivo de drogas.

Em primeiro plano, é indubitável que o fator educacional é um campo prolífero para a permanência da problemática. Logo, segundo dados divulgados pelo jornal “O Globo”, cerca de 11,8 % da taxa de desemprego no país refere-se aos indivíduos que possuem ensino fundamental incompleto. Sob essa ótica, é sabido que o nível de escolaridade limita as oportunidades de emprego disponíveis para o cidadão, visto que com o advento da globalização, as empresas tornaram-se mais inflexíveis quanto ao grau educacional de seus proletariados. Assim, o fato do indivíduo não conquistar um trabalho devido à formação escolar, força-o a deixar seu lar por não conseguir sustentar sua casa e a si mesmo, restando-lhe as ruas como sua nova moradia.

Ademais, cabe salientar que o consumo exorbitante substâncias ilícitas é um grande impulsionador do problema. Dessarte, essa peripécia é comprovada segundo pesquisas realizadas por especialistas do site “Poletize”, os quais alegam que 35,5% das pessoas que viram moradoras de rua admitem usar drogas. Nesse âmbito, torna-se evidente que tais substâncias acarretam em diversos problemas sociais por serem viciosas e causarem um prazer momentâneo no individuo. Assim, o dependente químico busca cada vez mais usufruir desses efeitos a fim de fugir de sua realidade hodierna, sendo muitas vezes, expulso de sua própria casa, por exemplo. Logo, o histórico de perdas do cidadão, ora do emprego, ora da família, a título de exemplo, piora cada vez mais seu quadro psicológico e físico, uma vez que desfruta cada vez mais de entorpecentes, tornando-se um ciclo vicioso.

Portanto, são inevitáveis ações proativas no combate a essa conjuntura. Sendo assim, é imprescindível que a Secretaria de Assistência Social, instrua as pessoas que vivem nas ruas para efetuar funções necessárias no mercado de trabalho, por meio de cursos gratificados, visando aumentar seu leque de oportunidades. Além disso, cabe ao Poder Legislativo juntamente com o Poder Executivo, designar parte dos impostos pagos pela população na construção de centros de recuperação para dependentes químicos nômades, a fim de reduzir o número de viciados nas vias públicas. Desse modo, tais ações direcionarão para um comportamento preferível de uma sociedade.