A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 23/04/2020
O sociólogo britânico Nick Couldry, com sua obra “Por que a voz importa?”, argumenta sobre o conceito de desigualdade de voz, a qual um sujeito ao não conseguir portar-se ou deixar-se entendido na comunidade o leva a inexistência, seja de grupos ou de pessoas. Hodiernamente, a dificuldade dos moradores de rua em “projetar sua voz” tem se tornado comum, colocando-os em uma impossibilidade de expressar seus sentimentos, desejos e necessidades. Sendo assim, problemas como a falta de auxílio do Estado e a exclusão por parte dos cidadãos interferem para uma sociedade mais igualitária.
Em primeiro plano, destaca-se a carência da ajuda do governo com a população sem-teto como um dos empecilhos. Sobre isso, vale destacar no ano de 1896 aconteceu a conhecida Guerra de Canudos, no interior da Bahia, tendo a fome, a pobreza e a violência social como fatores decisivos para seu início, que levaram os sertanejos a contestar o regime adotado naquele período. Acerca desse movimento, pode-se comparar com a atual situação dos moradores de rua, por suportarem condições parecidas com as sofridas pelos baianos. Ademais, relembrando a posição defendida por Couldry , a falta de “voz”, genericamente, impossibilita essas pessoas de mudarem sua própria posição. Desse modo, salienta-se que tal amparo governamental é significativo e necessário na resolução da problemática.
Concomitante ao supradito, outro obstáculo é a exclusão social que os indivíduos sem moradia são expostos pelo restante da sociedade. Sob essa ótica, a obra literária “Homem Invisível” de Ralph Ellison, retrata a experiência de um homem negro no início do século XX, em Nova York; reproduzindo, com o decorrer do enredo, a insignificância do protagonista em meio aos brancos racistas e negros extremistas. Nesse tocante, a realidade de quem reside nas ruas não difere muito a vivida pelo personagem, pois esse descrédito é realizado por grande parte do corpo social. Assim, é indispensável que medidas sejam impostas a fim de conter esse preconceito.
Faz mister, portanto, que melhoras sejam feitas para desconstruir as barreiras que impedem de os moradores de rua de terem seus direitos garantidos. Portanto, cabe a Secretaria Nacional de Assistência Social, juntamente com as prefeituras municipais, melhorar os abrigos públicos através da ampliação dos alojamentos, com a finalidade de lhes garantir melhor qualidade de saúde, alimentação e higiene. Outrossim, concerne ao Governo Federal, em união as emissoras de televisão e de rádio, gerar programas sociais semanais que promovam relatos pessoais da comunidade desabrigada, com intenção de incentivar a empatia e solidariedade entre todos. Dessa maneira, a desigualdade descrita por Couldry será diminuída e a nação brasileira poder-se-á se aproximar mais de uma democracia justa.